O Projeto Venus apresenta uma visão nova e arrojada para a humanidade que requer nada menos que o total re-planejamento de nossa cultura. Hoje, existem muitas pessoas preocupadas com os sérios problemas que confrontam nossa sociedade moderna: desemprego, crimes violentos, substituição de humanos pela tecnologia, superpopulação e o declínio nos ecossistemas terrestres.
Como você verá o Projeto Venus se dedica a enfrentar todos esses problemas ao envolver-se ativamente em pesquisas, desenvolvimento e aplicação de soluções viáveis. Através do uso de abordagens inovadoras para a conscientização social, incentivos educacionais e a aplicação consistente do melhor que a ciência e tecnologia têm a oferecer diretamente ao sistema social, o Projeto Venus oferece um plano abrangente para a restauração social no qual os seres humanos, a tecnologia e a natureza serão capazes de coexistir num estado de equilíbrio dinâmico sustentável e de longo prazo.
Esse é o texto que retirei do site The Venus Project. Embora só tenha lido superficialmente sobre o projeto, me interessei por ele o suficiente para adicionar um banner no meu blog. Pretendo estudar mais profundamente sobre as ideias projetadas por Jacque Fresco, o idealizador e arquiteto do Projeto Venus. Mas convido a todos que tiverem interesse, para pesquisarem e lerem sobre o assunto também, em todo caso, voltarei a escrever sobre o assunto quando tiver conclusões mais definidas. Até lá, boa semana a todos!
É recorrente e usual que me façam perguntas de todos os gêneros, quando sou apresentado a um novo conhecido.
“Qual é o seu nome?”
“Qual a sua idade?”
“Nossa! Como você é grande! Qual a sua altura?”
“Você é gatinho. Qual é o seu telefone?”
“Para qual time você torce?”
Ao ponto em que me fazem essa última pergunta, o meu desejo é de responder: “Sou heterossexual!”, e apenas. Porém nem sempre é a expectativa de que seja dada uma resposta criativa e divertida para uma pergunta desse gênero. Pois na sociedade em que vivemos, o seu time de futebol pode lhe render mais preconceito do que sua opção sexual. Passa a ser então, uma pergunta de teor crucial, ao ponto de determinar o sucesso ou não de futuras amizades.
Exagero? Oh, acredite, já vi amizades enfraquecerem por conta de rixas futebolísticas. Mas não são bem as inimizades pessoais que de fato me preocupam. O exagero é tal, que faz multidões entrarem em guerra, por causa de um time de futebol.
Esses barões, senhores donatários de clubes e estádios, eles nadam com o dinheiro adquirido na indústria do maior espetáculo nacional. Oito meses de aflição. Oito meses onde a maior preocupação do trabalhador brasileiro é a posição do seu timão na tabela do brasileirão.
Há que idolatrar seus jogadores favoritos, por si só, não faz mal. Se existem heróis nacionais, não são aqueles dos livros de história, mas os jogadores que trouxeram o título da Copa Mundial à Seleção Brasileira.
Mas eis que o fanatismo nos leva à tormenta. Quando a lei da competição exige a vitória, não importa o esforço que leve, não importa o suor que gaste; o sangue jorra. Jorra sangue na tela da televisão brasileira, mas não é o sangue dos jogadores incompetentes, mas dos torcedores que comemoram a vitória, em frente ao bar do rival.
A que ponto alguém pode dize, que ama seu time incondicionalmente? A que ponto alguém pode ME obrigar, a tomar partido em um banho de sangue?
Eu costumava ser flamenguista, ainda que dos bem relapsos. Mas hoje, eu torço é para time nenhum. Pois o flamengo é o time cujas derrotas ou vitórias causam mais mortes pelo Brasil afora. Se o time perde, os torcedores vão à rua, e morre quem estiver com a camisa do adversário. Se o time ganha, é o torcedor do próprio que amanhece com formiga na barriga, e a língua no chão.
Prefiro ser indiferente, e observar esse massacre espetáculo de longe. BEM longe.
Descendente de judeus por parte de mãe, nunca aprendi a apreciar a semana de carnaval. Nunca pulei carnaval. Não por que odeio todos os tipos de feriados religiosos, - maravilhoso estado laico esse em que vivemos, não? – mas por que meus pais foram adeptos a essa pratica. Eles sempre mantiveram a mim e minhas irmãs, trancados dentro de casa nesses períodos de festividade.
Mortes no trânsito aumentam consideravelmente, devido ao aumento no consumo do álcool. E essa é uma das estatísticas que mantém minha família dentro de casa sem nos arriscarmos na alta estrada.
Para muitas pessoas, o ano é dividido em duas épocas. Carnaval, e preparação para o próximo carnaval. Àqueles que não são carnavalescos, o ano é pautado pela proximidade do próximo feriado. O que vêm depois do ano novo? Carnaval, em seguida a sexta-feira da paixão, e etc.
Não me esqueço da aula de história que tive sobre o carnaval, a Festa Vitoriana. Com seu surgimento no período da idade média, os senhores feudais, em união como clero da igreja, encontrou uma maneira inteligente de permitir aos camponeses uma forma de aliviar o estresse de um ano inteiro de trabalho e submissão.
Uma semana antes da Quaresma – o período dentro da religião católica em que não se pode comer carne – os camponeses eram permitidos a pecarem de todas as formas que desejassem. Orgias e consumo alcoólico não compunham tão simplesmente o resumo dessa festividade, pois ela tinha também seu caráter satírico e debochado.
Os camponeses se vestiam com roupas exuberantes – ainda que em nada se igualassem aos tecidos caríssimos dos senhores de propriedade – tinham com essa maneira, a intenção de debochar de seus patrões. A igreja era aberta, e nesta, era efetuada a missa do asno. Um deles assumia o papel de padre, enquanto todos os outros assumiam seus lugares, e todos moviam a cabeça para frente e para trás, imitando um rosnar de um quadrúpede – como os camponeses enxergavam seus mestres.
Toda essa propriedade e significado foram deturpados e transformados em uma festividade comercial e desconexa. Como explicar os trajes de gala, com tanta pompa e exuberância? Ninguém, exatamente menos aqueles que estão envolvidos no coração de todo o movimento seriam capazes de explicar o significado dessa festa. É a festa do povo? A festa do samba? Cadê o samba? Eu não o enxergo mais!
Eu poderia continuar aqui delongando sobre o ultraje que essa festa representa para mim, mas dou agora voz a uma mulher que me fez lembrar o verdadeiro significado e valor da profissão dos jornalistas.
charge elaborada por Antônio Marcos Oliveira Romeno
(vulgo, A.M.O.R. - não olhe para mim, foi ele quem disse)
Deveria ser uma quinta feira, ou era sexta, não me lembro bem. Meu companheiro fiel de vodka me chamou ir a sua casa. Pouco para fazer, todos meus outros contatos de forte relevância estavam fora da cidade naqueles dias. (algum feriado prolongado, que permitiu a todos viajarem)
Agora me recordo de fato, era sexta feira. Eu até mesmo levei o notebook. Conversamos por um tempo. Ele me mostrou alguns vídeos da Kate Perry – seu novo fascínio – usando a entrada de vídeo de seu notebook para a televisão. A noite caiu, e nós não encontramos nada de mais interessante para fazer. Decidimos descer e comer na lanchonete do outro lado do quarteirão.
Uma vez sentados à mesa e devorando, cada um, um cachorro quente self-service, eu percebi que a televisão estava sintonizada na Rede Globo, estava passando o Big Brother Brasil. Embora eu gostasse de estar mais concentrado no meu cachorro-quente, eu não podia deixar de entreouvir a conversa de Pedro Bial com os integrantes da casa. Frases como: “Eu acho que alguém ai bebeu demais na noite passada!”, “Fulana, você se lembra de quantos pães você comeu na noite passada?”, “Talvez alguém aí passou do ponto!”. Eu tive a sincera vontade de arremessar o meu lanche na direção da televisão, ou a garrafa de coca-cola, ou mesmo a minha cadeira junto com a mesa de plástico.
Sexta feira eu fui jogar Poker. Agora me lembro melhor. Aqueles vinte reais que deixei passar tão próximo da premiação são inesquecíveis. Fiquei em terceiro lugar, revoltado, mas sem derramar lágrimas por conta disso. Então era uma quinta feira. Não acompanho para conhecer ou entender a mecânica, mas parece que quarta feira é dia de festa naquele laboratório de ratos imundo chamado “Big Brother Brasil”.
Vendido para redes de televisão por todo o mundo, “O Grande Irmão” tem olhos e câmeras em quase setenta países. Um reality show da mais baixa classe, e muito pouco compreendido em relação à mensagem que ele transmite.
Quinze participantes entram em uma casa, e de lá, apenas um sairá com um prêmio atualmente estimado em 1,5 milhões de reais. A cada semana, dois participantes são postos à votação popular para serem eliminados pelo voto... espere um pouco! Por que eu estou me dando o trabalho de explicar como esse programa funciona? Qualquer brasileiro com acesso à internet e com televisão em casa sabe explica sobre todas elas muito melhor do que eu! Além do mais, a única autêntica regra naquela casa é: NÃO EXISTEM REGRAS!
Nunca compreendi como um dito “jogo” poderia ter tantas viravoltas e distorções de regras operadas pela produção do programa. Eu bem entendo o propósito. Manter a emoção, caso contrário o programa fica tedioso e repetitivo. É bem fácil levar um grupo de pessoas a definharem próximas à loucura e devaneios emocionais, quando são postas em situações tão drásticas e desestabilizadoras. Mas nem mesmo o diabo, o bom e velho jogador dos filmes de fantasia e terror psicológico, seria capaz de mudar tanto as regras que ele mesmo estabeleceu. Tenho uma novidade para o Boninho; o programa já é um tédio desde a primeira edição, mudar o jogo ou colocar mais participantes aleatórios, não vai mudar em nada!
Esse programa é transmitido em países como Alemanha, Reino Unido, Itália, Holanda – mas não na França, Deus salvou os franceses dessa tortura. E isso me faz pensar. Se fosse uma exclusividade brasileira, não haveria questionamentos quanto os motivos que levaram o programa a fazer tanto sucesso, e ainda perdurar por tantas edições. Mas pensar que o povo europeu, com uma cultura tão mais rica, com um ensino tão mais qualitativo, como eles poderiam consumir tal abominação intelectual?! A explicação – e essa eu bem elaborei de última hora – é uma metáfora bem alegórica. A mais terrível de todas as metáforas sobre a vida e nossa sociedade capitalista.
Winston Smith dividia com outras pessoas uma cela completamente branca no subsolo do Ministério do Amor. (para quem não leu “1984 – George Orwell” eu digo que sinto muitíssimo, mas bem que já passou da hora!) Os prisioneiros não podiam fazer qualquer forma de contato e interação uns com os outros.
Caso tentassem se aproximar ou saírem da posição orientada – sentado ereto e olhando para frente – a tele-tela apitava e uma voz metálica, ainda que feminina, ordenava o prisioneiro a voltar para seu lugar de origem. A porta se abre, dela entram alguns oficiais da polícia do pensamento. Um deles, aponta para o prisioneiro mais próximo à porta e diz: “Para o quarto 101”.
O prisioneiro esperneia a grita: “Não! Não o quarto 101! Por favor, eu faço qualquer coisa! Eu falo o que você quiser! Eu faço o que você quiser, mas não o quarto 101!”. Impiedosos, os guardas o arrastam para fora da cela. E a porta se fecha atrás do último oficial.
O que representa um prêmio de 1,5 milhões de reais? Uma vitória? Uma vitória financeira? Muitos são os que gostariam de participar deste programa. Querem ter a oportunidade de teoricamente tornar-se milionários, largarem os empregos entediantes para uma vida de suposta comodidade, fama e glamour.
Mas para que haja este vencedor, deve haver muitos perdedores no meio do processo. Provas e testes que não se compreende em plenitude. Quaisquer habilidades pessoais, ou preparações técnicas, são completamente inúteis e irrelevantes quando se trata sobre essa roleta russa coletiva. Os ditos “Brothers”, precisam se desdobrar em tarefas irracionais e sem nexo. Para no fim, estarem lançados aos desejos e vontades dos produtores. Pois eu não tenho medo de afirmar, que a votação popular é totalmente descartada para determinar o vencedor. Estatísticas são todas forjadas e inventadas. Como pode um programa cuja audiência só permanece caindo, apresentar em cada edição, um novo recorde de telefonemas e votos?
Pessoalmente, quando assistia qualquer uma dessas provas e testes, “prova do líder”, “prova do anjo”, “prova da comida”, tudo o que podia observar era merchandising! Eu via anúncios de diversos patrocinadores aleatórios. Parece que nada dentro daquela casa pode existir ou ser feito ou executado sem ter o selo de alguma marca ou empresa estampada de alguma forma.
Esse espetáculo representa nada mais que uma sátira a respeito de nossa sociedade capitalista, onde o sucesso de um, significa o fracasso e a submissão sócio-econômica de outros mil, no mínimo. O Grande Irmão serve como uma perfeita alegoria a respeito das pessoas por trás de todo “o jogo”. Os jogadores somos nós mesmos, o Líder é aquele que se faz eleito de maneira teatral, mas quem controla o jogo é a mão oculta, mais poderosa que o Líder, e qualquer outra força visível aos olhos dos jogadores. O homem que trás a sentença para condenar os eliminados, só é visto pelo televisor, e encontrado pessoalmente apenas após o momento da vitória, ou eliminação.
Admitam, é uma bela de uma metáfora. Mas eu trago maior infelicidade ainda na conclusão desta analise. Haverá, sim, a décima segunda edição, tão bem como a décima terceira, e a décima quarta. A única coisa capaz de impedir uma décima quinta edição é um eventual apocalipse em 2012. Chorem, ou atirem tomates, é a triste verdade.
Nos últimos dez anos, houve um desenvolvimento bem interessante em: Biologia Evolucionária, Ciência Neuro-Cognitiva, Pesquisa sobre Desenvolvimento Infantil e muitas outras áreas. Estudos que estão começando a desafiar essas ideias regionalistas mantidas há tanto tempo a respeito da natureza humana e o significado da jornada humana.
Mas existe outra referência emergindo na ciência, que é bem interessante, e que realmente desafia certas suposições. Com isso, as instituições as quais demos origem; A Instituição Educacional, nossas práticas comercias, nossas Instituições Governamentais, tudo baseado nessas suposições que estão para serem quebradas.
Deixe-me transportar-lo de volta para o começo dos anos noventa, em um laboratório miúdo na cidade de Parma, Itália. Lá, cientistas puseram uma maquina de ressonância magnética em um macaco. Este macaco estava tentando abrir uma noz, e os cientistas queriam ver como os neurônios viriam a acender. Por um acaso – a ciência muitas vezes é regida pelo acaso – um humano entrou no laboratório, viu uma noz, e resolveu abrir-la. O macaco ficou em choque, “quem é esse invasor no meu laboratório” pensou ele. O macaco nem se moveu, ele apenas observou, vidrado, o humano abrindo a noz assim como ele havia tentado alguns minutos antes. Os cientistas olharam pelo monitor dos aparelhos, e os mesmos neurônios que antes acendiam quando o macaco tentava abrir a noz, acenderam quando este observou o humano abrindo a noz. Eles não faziam a menor idéia do que estavam observando ali. Pensaram que a maquina de ressonância havia quebrado.
E então resolveram repetir o procedimento em outros primatas, especialmente chimpanzés com seu neo-cortez bem desenvolvido, até testarem com humanos propriamente. E o que puderam descobrir depois de repetido o experimento diversas vezes, foram os neurônios-espelhos.
A conclusão é que todos primatas – elefantes também ainda não se têm certeza sobre cachorros e golfinhos – estão ligados por essa rede formada pelos neurônios espelhos. Ou seja, se eu estou lhe observando, e você está com raiva, ou frustrado, se sente rejeitado ou está alegre, eu posso sentir a mesma sensação. Pois os neurônios-espelhos virão a acender e eu vou sentir como se estivesse passando pela mesma experiência a que observo em você.
Isso não é tão fora do normal. Se uma aranha sobe no seu braço, e eu estou observando, também irei sentir um arrepio por conta disso. Nós tomamos essa definição como garantia, mas o que realmente estamos tratando é sobre estarmos ligados à experiência das outras pessoas como se estivéssemos passando pela mesma situação.
Os neurônios-espelhos estão apenas dando início a uma nova e enorme frente de pesquisas dentro da neuropsicologia, pesquisas sobre o cérebro e sobre o desenvolvimento infantil. Tudo sugerindo que nós não somos naturalmente ligados ou estimulados à agressão, ou violência e nem interesses egoístas. Mas que somos naturalmente conectados pela sociabilidade, afeto e companheirismo.
A primeira jornada, a jornada para o verdadeiro pertencer, é uma jornada empática. O que é empatia? É bem complicado. Quando um bebê na enfermaria começa a chorar, os outros bebês vão chorar em resposta. Mas eles simplesmente não entendem por que o fazem. Isso é estresse empático, vem junto à biologia deles.
Em torno dos dois anos e meio de idade, uma criança passa a ser capaz de reconhecer a própria imagem no espelho. É a partir desse momento, que você passa a desenvolver a empatia como um fenômeno cultural. Pois a partir do momento em que a criança passa a reconhecer a ela mesma, ela pode perceber que está observando à outra pessoa tendo uma experiência. Portanto eles são capazes de sentir que se eles sentem alguma coisa, é por quer estão observando outra pessoa na mesma situação. Então a criança é uma coisa separada da pessoa a quem observa.
A individualidade surge junto ao desenvolvimento da empatia. Quanto maior a distinção sobre a personalidade, maior é a empatia. Em torno dos oito anos de idade, a criança aprende sobre nascimento e morte, ela aprende de onde ela veio, aprende que só viverá uma vez, que está vida é muito frágil e um dia eles virão a morrer. Esse é o começo da viajem existencial. Pois uma vez que a criança tem todos esses conceitos consolidados, eles percebem o quão frágil e vulnerável a vida é.
É difícil estar vivo dentro desse planeta. Seja você um humano, ou uma raposa passeando pela floresta. Portanto quando uma criança percebe que a morte está à espreita, e que ela tem uma história própria de vida, ela percebe que o mesmo vale para todas as outras criaturas viventes. Cada momento passa a ser precioso.
É duro estar vivo, e as possibilidades nem sempre são as mais otimistas. Então se você pensar sobre vezes em que demonstramos empatia pelas outras pessoas e as outras criaturas, é por que nós sentimos a sua luta a respeito da morte eminente, e é, portanto, um ato de celebração à vida. Mostramos solidariedade com a nossa compaixão.
Empatia é o oposto de Utopia. Não existe empatia no céu – eu posso te garantir isso, antes que você chegue lá. Não existe empatia no céu, por que não há mortalidade. Não existe empatia na utopia, por que não existe sofrimento.
A empatia é fundamentada pelo medo a respeito da morte, e a celebração sobre a vida, e ajudando uns aos outros para que possamos prosperar juntos. É baseado em nossas falhas e imperfeições. Então quando falamos sobre construir uma civilização empática não estamos falando sobre utopia. Estamos falando sobre a habilidade humana de mostrar solidariedade, não apenas entre humanos, mas para todas as criaturas viventes desse planeta.
Nós somos homo-empáticos. Então aqui surge uma questão. Nós sabemos que a consciência sofre alterações no curso da história. A maneira como nossa mente está conectada nos tempos de hoje, não é a mesma como ela estava nos tempos medievais. Assim como este seria diferente da mente de nossos ancestrais de mais de quarenta e dois mil anos atrás. Portanto, a questão que abri quando comecei esse estudo, há quarto anos atrás, é: Como a consciência se modificou no curso da história?
Temos de então imaginar a seguinte proposição. Se os humanos são naturalmente tensionados ao estresse empático, seria possível estendermos a nossa empatia para toda a raça humana? Como uma família estendida, e para as nossas criaturas irmãs, como parte de nossa família evolucionária, tendo a biosfera como a nossa comunidade comum. Caso seja possível imaginar tal, então talvez sejamos capazes de salvar a nossa espécie e salvar o planeta. Se essa proposta for de fato impossível, eu não consigo imaginar como seremos capazes de outra maneira.
Empatia é a mão invisível. Empatia é o que permite estendermos a nossa sensibilidade para outra pessoa, para que possamos construir maiores e mais largas uniões sociais. Empatizar é civilizar. Civilizar é empatizar. Há quarenta e dois mil anos, a comunicação social se estendia apenas a uma comunidade tribal, e gritos à distância. Qualquer outra pessoa do outro lado da montanha era o Alien invasor. Portanto empatia estava restrita a laços sanguíneos.
Quando nos desenvolvemos para as civilizações de base agrícola, onde a escrita nos permita estender o sistema nervoso central e anular o efeito do tempo. Trazendo as pessoas mais próximas das outras, com a maior apreciação sobre habilidades melhor desenvolvidas, e o crescimento da individualidade, principalmente a respeito da consciência teológica. Foi então quando deixamos de lado os laços tribais, e adquirimos laços religiosos. Portanto judeus passaram a ver todos os outros judeus, como uma extensão de suas famílias, e passaram a empatizar uns com os outros. O mesmo aconteceu com os cristãos, os mulçumanos e por ai vai.
Quando chegamos ao século dezenove, com a revolução industrial, e nós estendemos o mercado para áreas maiores, criando a ficção a respeito dos estados nacionais. De repente, todos os britânicos passaram e enxergar uns aos outros como uma extensão de suas famílias. O mesmo valeu para os alemães, os americanos, italianos e etc. Não existe tal coisa como “Alemanha”, ou “França". Essas são ficções, mas elas permitem que estendamos nossas relações de empatia para que tenhamos lealdade em dividirmos uma identidade comum. Baseando-se na nova complexa energia da revolução da comunicação, que nos permite anular o tempo e o espaço.
Se nós saímos de laços consanguíneos, para laços religiosos, para empatia baseada em identificações como nações; seria tão difícil imaginar, a tecnologia da atualidade, nos permitindo conectar nossa empatia com toda a humanidade, ou mesmo com todas outras criaturas em uma única biosfera?
Nós temos a tecnologia para estender o sistema nervoso central e sentirmos todos entranhados em uma grande família. Quando houve aquele terremoto no Haiti – depois no Chile, mas se tratando apenas do Haiti – em uma hora os twitts sobre o assunto surgiram, em duas horas já haviam vídeos do terremoto no youtube, e em três horas a humanidade inteira estava mobilizada, por meio da empatia, a ajudar o Haiti. Se nós fossemos como a corrente iluminista de pensadores sugere; materialistas, egoístas e egocêntricos; não viríamos a empatizar tão depressa com o Haiti.
Aparentemente, há cento e setenta e cinco milhares de anos atrás, no vale do Rift, – África – viviam dez mil anatomicamente modernos seres humanos – nossos ancestrais. Os geneticistas localizaram uma singular origem genética feminina. Aparentemente, seus genes foram passados para todas as pessoas na terra, as outras mulheres não perpetuaram. E tudo fica ainda mais curioso, pois eles localizaram uma base de genes masculina, – denominado de cromossomo-y adão, supostamente um pretendente melhor qualificado - seus genes estão nas células de todos humanos viventes. Então aqui está uma grande novidade, mais de 6,8 bilhões de pessoas; todas com suas diferenças teológicas, ideológicas, psicológicas, dramaturgas; todas lutando umas com as outras sobre ideias diferentes a respeito do mundo, e adivinhe só? Nós todos descendemos de apenas dois seres humanos – a bíblia acertou sobre esse ponto. Nós poderíamos ter originado de muitos, mas a idéia é que precisamos passar a pensar uns nos outros como uma extensão de uma família. E com isso não é necessário abandonar nossas identidades pessoais. Nós não perdemos nosso senso de identidade, nossas identidades religiosas, identidades nacionais, identidades consanguíneas. Mas nós estendemos as nossas identidades para que possamos pensar sobre a raça humana como irmãos de luta, assim como as outras criaturas viventes dentro de uma biosfera comunitária.
Precisamos repensar a narrativa humana. Caso sejamos realmente homo-empáticos, então precisamos exaltar essa natureza adormecida. Pois se permitirmos reprimir tal por meio das relações parentais, educacionais, comerciais e governamentais; a jornada secundária emerge: o narcisismo, o materialismo, a violência, e agressão e etc.
Caso precisemos abrir uma discussão global sobre a empatia façamos o quanto antes. Comecemos a repensar sobre a natureza humana. Expressemos a nossa sociabilidade empática. Para que possamos repensar sobre as instituições da sociedade e prepararmos o terreno para uma civilização empática.
Esse texto é a tradução de uma palestra feita durante um encontro da RSA (Royal Society for the encouragement of Arts – Sociedade Real para encorajar a Arte) promovida pelo palestrante/escritor/pesquisador Jeremy Rifkin – tudo que eu adoraria me tornar. A tradução é de minha autoria. Tive de fazer várias adaptações, mas espero ter mantido em fidelidade a intenção principal de cada passagem. Postei assim que terminei de traduzir, levei pelo menos cinco horas para traduzir o vídeo na integra. Pretendo fazer o mesmo com alguns outros vídeos da RSA Animate que virei a selecionar.
Há bilhões de galáxias no universo observável. E cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas. Em uma dessas galáxias, orbitando uma dessas estrelas, há um pequeno planeta azul. E este planeta é governado por um bando de macacos.
Mas esse macacos não pensam em si mesmos como macacos. Eles nem se quer pensam em si mesmos como animais. De fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais: Polegares opositores, autoconsciência, eles usam palavras como Homo Erectus e Australopithecus. Você diz to-ma-te eu digo to-ma-ti. Eles são animais, certo?
Eles são macacos. Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade, mas ainda assim macacos. Quero dizer, eles são espertos, você tem que conceder isso. As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China, isso tudo é muito impressionante, para um bando de macacos.
Macacos cujos cérebros evoluíram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo. Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes, todos os outros animais podem simplesmente ser.
Mas não é tão simples para os macacos, pois os macacos são amaldiçoados com a consciência. E assim os macacos têm medo, os macacos se preocupam, os macacos se preocupam com tudo, mas acima de tudo, com o que todos os outros macacos pensam. Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar com os outros macacos. O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia.
Isto é o que realmente os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam. Eles odeiam macacos que são diferentes, macacos de lugares diferentes, macacos de cores diferentes. Sabe, os macacos se sentem sozinhos, todos os 6 bilhões deles.
Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas. Os macacos querem respostas, os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses e os adoram. Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor, e os macacos ficam irritados e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar uns aos outros.
Então os macacos fazem guerra. Os macacos fazem bombas de hidrogênio. Os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir. Os macacos não sabem o que fazer.
Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos. Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos como se isto significasse algo.
Alguns dos macacos acham que sabem de tudo. Alguns dos macacos lêem Nietzsche. Os macacos discutem Nietzsche sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche era só outro macaco.
Os macacos fazem planos. Os macacos se apaixonam. Os macacos fazem sexo e então fazem mais macacos. Os macacos fazem música, e então os macacos dançam. Dancem macacos, dancem!
Os macacos fazem muito barulho, os macacos têm tanto potencial. Se eles pelo menos se dedicassem. Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ostensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco.
Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades". Os macacos desenham um monte de linhas imaginárias na terra. Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização. Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã. Os macacos gostam de fingir que está tudo bem.
Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício, como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados.
Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta, e os macacos não querem ser macacos, eles querem ser outra coisa mas não são.
Eu sei, seu sei, esse vídeo é dos antigos. Mas como esse blog também me serve para poupar digitais, eu coloco aqui, o que não desejo precisar repetir e repetir dezenas de vezes em fóruns por ai a fora.
Esse vídeo nós trás uma reflexão deveras muito boa sobre a nossa realidade como humanos, vivendo nessa nave redonda, sem compreender de onde viemos, sem tanta certeza sobre para onde vamos nos dirigir.
Muito se questiona e debate sobre a origem de tudo, bem como se discuti o fim do mundo. Mas o princípio e o fim existem muitas questões mal resolvidas, e que merecem muito mais nossa atenção.
Se existe sentido em observar o passado, que seja para aprender com as lições que este nos provém, e aplicar-las no cotidiano. Caso seja para ponderar sobre como será o futuro, que passemos a trabalhar hoje, para uma melhor construção sobre o que herdarão nossos descendentes.
Nem sempre gostei escrever. Aos meus 14 anos fazer engenharia elétrica era uma idéia nítida e inviolável. Tendo meus hábitos mentais totalmente voltados para o campo das exatas, eu tentava esquematizar o meu estudo de maneira lógica e metódica nas outras matérias. Criava teoremas, padrões, regras, e modelos matemáticos para me facilitar o estudo das coisas que não pareciam tão claras e óbvias quanto “ax +b = y”.
Ainda que depois de reencontrar-me com minha veia filosófica e metafórica, eu continuo por utilizar de equacionamentos dentro das ciências mais subjetivas, como a história e a sociologia. Fiz dessa característica o meu diferencial. Permitindo-me enxergar eventos e acontecimentos de maneira por muitos tida como inusitada. O que para outros possa ser visto como palavras desconexas e abomináveis, para mim é racionalização e lógica. Fato é que no campo das humanas, não existe resposta errada, apenas uma forma diferente de enxergar as coisas.
Um dos diversos modelos que criei na minha época de colegiado foi sobre o processo de colonização ocupacional. Imaginemos uma civilização X que deseja dominar e colonizar uma civilização Y. Existe uma série de processos e recursos que a civilização X terá de lançar uso durante o processo de domínio. Primeiro, ela terá de impor sua ocupação através da superioridade bélica. Caso queria evitar um massacre, ela terá de exibir as suas armas mais poderosas, a fim de intimidar a civilização Y, e dominar-la então pelo medo.
Uma vez dominando o território pela força bélica, é preciso conquistar o seu espaço no meio cultural da civilização Y, substituindo a cultura de Y pela cultura de X. Devem ser abertas escolas para ensinar aos cidadãos de Y, a língua, a história e toda a doutrina da sociedade natal de X. Passar ensinamentos religiosos, de maneira a derrubar a religião de Y, e por fim impor todo o regimento de normas e comportamentos de X em Y.
Como se não bastasse, X deverá por os recém convertidos cidadãos de Y para trabalhar nos ofícios por eles designados. Parênteses: Eles devem trabalhar em ofícios de baixa e média remuneração, e cujo lucro do trabalho fique concentrado nas mãos de X, deixando para os trabalhadores de Y apenas o salário obtido pelo mais valia.
Uma vez definido o modelo acima, dele pode-se referir diversos exemplos, e acrescentar também diversas variações. Lembrando que o processo descrito acima não trata da colonização mercantilista. Dado tal idéia, quais exemplos você, leitor, procuraria referir sobre esse modelo descrito? Em uma representação de (X,Y), citaríamos (Inglaterra,Índia); (EUA,Japão); (Inglaterra,Treze Colônias); (Inglaterra,África do Sul). Mas como o título dessa prosa bem sugere, deve imaginar que eu estou aqui para falar sobre a colonização brasileira. Pois para ser sincero, foi exatamente o exemplo no qual me baseei para montar esse modelo. Mas não estou aqui para falar do nosso ouro nas igrejas de Portugal. Nem mesmo sobre o nosso ouro que foi usado para propulsionar a industrialização da Inglaterra (Não consegue ver a ligação? Desculpe, não quero fugir do foco).
De toda a minha analise, o elemento inusitado eu sempre guardo para o final. Pois após ser bombardeado noite e dia com notícias e comentários sobre a ocupação das favelas no Rio de Janeiro, não posso evitar falar sobre o assunto que não gostaria redundar em meu blog. Mas quando a realidade reflete nas minhas obras anteriores aos acontecimentos, por mais que me custe, sou obrigado a trazer um feedback.
Já estabeleci aqui antes, na minha postagem sobre o “Tropa de Elite 2” (Vinagre), mas volto a pontuar. As favelas do Rio de Janeiro já estão em um perfeito estágio de paralelismo de poder com o nosso estado. Funcionam exatamente como um núcleo independente, utilizam de táticas de guerrilha e comportam-se como uma. Em muito a ocupação das favelas do Rio, coordenado com a autorização do Governo do Estado do Rio de Janeiro, se assemelha para mim com uma operação de reconquista. Um processo colonial, onde o nosso estado (brasileiro?) pretende dominar e conquistar o território que foi perdido para o estado paralelo.
As FARQ’s, o IRA, o ETA, e diversas outras regiões que desejam ou já desejaram emancipação territorial do estado vigente no país em que vivem, fizeram uso do terrorismo para tentar impor suas independências como nações. Suas lutas, ainda não alcançaram a vitória em nenhum exemplo que possa ser citado. Não seria diferente com os traficantes das favelas. Mas caso me pergunte, em que ponto eles praticaram terrorismo, peço que junto com uma revisão das últimas notícias sobre o Rio de Janeiro antes da operação das forças armadas, leia o texto que virei a expor abaixo. É a declaração que foi distribuída em forma de carta aberta para os moradores das favelas e das regiões periféricas à mesma:
“Atenção
Foi decretada pela união dos partidos dos partidos CV, ADA e CTP todos outros partidos que tenha respeito e lealdade, força, humildade e amor no coração e muita dignidade a favor de toda comunidade, por favor se unam a nós.
Foi decretado pela união dos partidos, que quando tiver repressão da polícia em qualquer favela fazendo covardia, derramando sangue, todas as comunidades pegaram seus fuzis e atiraram em prédios, em carros importados e no que tiver de mais rico próximo a sua favela, saqueando empresas, lojas e mercados!
Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.
Foi decretado pela união dos partidos, que cada integrante de partido que a polícia matar morrerá dois policiais e seus familiares, pela união das comunidades que cansou de covardia dos policiais e do sistema, porque são eles que trazer as drogas e as armas, o empresário financia e a policia facilita ficam os políticos roubando bilhões, matando muita gente só com uma caneta, depois quer mandar quem trás as drogas e as armas para o partido vir aqui na comunidade e matar inocente pobre não dá lucro para boca de fumo, quem compra todas drogas são as classes médias e os ricos.
‘Irmão, pode pisar em qualquer favela olhando na bola dos olhos, mostrar que esse modo de agir é retrólogo, a revolução verbal é aterrorizadora, junta seus pedaços e vem para a arena nosso irmão do PCC falou que o inimigo está de terno e gravata e em nome da paz e a favor de todas as favelas, que é a hora de união, de revolução. Definitivamente, sem união não dá, então vamos todos juntos.’ “
Esclareço aqui, que apenas transcrevi a carta exatamente como esta foi enviada. Sem o menor rigor de regência temporal ou nominal, sem coesão textual e nem mesmo uma pontuação digna de legível. Acho que fica bem claro que não inventei tal carta, apesar de não ter tido contato direto com ela. Mas dela, eu gostaria de destacar apenas um parágrafo:
“Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.”
Essa, para quem não percebe, é uma declaração de guerra, uma promessa terrorista. Pois então, dito e feito. Os atentados do dia 23 de novembro se aconteceram devido à promessa de guerra feita pela “união dos partidos” dos guerrilheiros das favelas do Rio.
“Favelas do Rio”, “Traficantes”, tento dar um nome para esse estado paralelo, mas me esqueço que ele tem nome. O PCC (Primeiro Comando Capital) já tentou assumir e coordenar revoluções no passado. Todos lembramos bem das centenas de ônibus queimados todos os dias nas grandes capitais do Sudeste. Na época, o fogo parecia ter sido contido, mas pelo que se percebe, ele apenas correu para o subsolo, e lá, cresce até que pensou estar forte o bastante para emergir e mostrar a sua fúria.
Primeiro o estado republicano (não posso apontar para um e chamar de Brasil) ocupou o território utilizando de toda a sua força bélica. Tudo com o intuito de combater velozmente os guerreiros da região, deixando o mínimo de vítimas civis no território (durante a operação, é claro). Estamos agora no período de pacificação, onde a população local começa a ganhar certo afeto pelos dominadores. Em seguida já se pretende colocar em prática o programa de redirecionamento cultural. Centros de recreação, centros de referência cultural para o jovem (como o que eu frequento na minha cidade) e escolas por toda a região.
Avançando mais no processo, pode-se ainda condicionar essa população para trabalhar em empregos de baixa remuneração. Explorando a mão de obra deles e aproveitando para ampliar o mercado consumidor. Analogamente aos operários de máquinas de tecelagem durante a revolução industrial da Inglaterra. Onde o operário gerava um lucro dobrado para os grandes empresários, pois além de trabalharem ganhando muito, o escasso salário servia para alimentar novamente os empresários, pois dependiam dos produtos industrializados para sobreviverem.
Ampliando a idéia da etapa citada acima, é a maneira mais comum de concentrar as riquezas nas mãos de poucos. Mantendo uma classe operária como rebanho extensivo, salários baixos, mas que dão condição a eles comprarem os produtos produzidos pelos próprios patrões. Conclusão, o dinheiro sai das mãos dos grandes empresários através dos salários, mas retorna com a venda dos produtos aos próprios operários.
Segundo parênteses: Como você imagina que a economia brasileira tem crescido nos últimos 4 anos? A mesada, chamada salário mínimo mais bolsa família estendida pelo governo lula, engrossou a classe econômica C que passou a ter mais poder de consumo, movimentando mais o mercado das indústrias e empresas brasileiras. Resultado? Mais dinheiro nas mãos de quem já tinha muito dinheiro, e salário mixuruca para os trabalhadores.
Eu citei o exemplo da chacina dos traficantes do Rio, como a pior solução possível na minha postagem sobre o TE2, pois já que fiz uma previsão certeira, eu deixo aqui o meu segundo aviso. Por mais que pense como certo ocupar as favelas, matar os traficantes e doutrinar essa população a tanto tempo oprimida, não se esqueça dos nativos que aqui viviam antes dos portugueses chegarem. Sim, justamente o primeiro exemplo que você pensou quando falei em colonização. Agora pense em todas as emoções que se expressaram na sua juventude rebelde, quando estudou sobre a exploração portuguesa em nossa terra. Pois o nosso estado está cometendo a mesma abominação. Concorde comigo ou não, a minha previsão é essa. De Brasil em Brasil, nós nos perdemos na nossa imensidão, pois te peço agora: “Brasil, me mostre a tua cara!”, pois não te reconheço mais.
Depois de muito minha irmã insistir, eu sai da frente do notebook para ir à padaria comprar o pão. Eu entro no estabelecimento e encontro dificuldade para ser atendido. Todas as atendentes pereciam ocupadas demais fazendo qualquer coisa que fosse, até que uma moça muito educada perguntou se poderia me ajudar. Eu pedi por dez pães doces. Ela olhou para a prateleira, havia apenas 13 pães. Então se voltou para mim e perguntou:
_Se importa de eu ir pegar lá de dentro? – Perguntou, caridosa.
_Por quê? Esses pães estão frios?
_Não, é porque se eu pegar daqui, eu vou precisar repor mais depois.
Eu abri um sorriso enorme e não pude evitar rir, aceitei o pedido dela, já que “pão de dentro” é sempre mais quente do que os da prateleira. Quando a moça voltou, eu agradeci educadamente.
Uma vez tendo selecionado tudo o que desejava (todos os itens da “lista” riscados) eu me direcionei ao caixa. Tentei dizer “boa tarde”, fui ignorado. Agradeci a compra, ignorado novamente. Quando estava saindo da loja, dei uma última olhada para trás, e pude ver a moça que me atendeu, sorrindo, observando o fluxo dos clientes da loja. Apesar de jovem, apesar de ter todas as outras funcionárias mandando, desmandando nela, estava sorrindo.
Muitas pessoas vão, vem e trombam de ombros com os nossos todos os dias. Mas nunca paramos para observar-las, nem mesmo olhar-las no rosto quando andamos na rua. Olhar alguém no olho já parece ter tomado o sinônimo de ser uma forma de afronta, é “encarar” como nossas mães bem nos alertaram:
_Não encara as pessoas na rua, é feio!
Depende da maneira que se “encara” a idéia de olhar alguém nos olhos. Já experimentou sorrir para as pessoas na rua, todas elas, sem exceção? Em uma situação normal, vão pensar que você está sobre efeito de alucinógenos e dos bem violentos. Se for um homem de idade e estiver sorrindo para moças mais novas, vão te delatar para a polícia e ter acusar de perversão.
As pessoas não estão acostumadas a serem bem tratadas por estranhos. Correção, as pessoas estão mal acostumadas a não serem bem tratadas por estranhos. Com toda essa violência, estupros, pedófilos, ladrões, criminosos de todas as categorias, parece que não se pode confiar em mais ninguém. Como se todos os que excedem o seu conhecimento fossem potenciais criminosos que vão clonar o seu cartão e roubar a sua filha para vender nos bordeis europeus de luxo.
É claro que não se pode confiar em qualquer pessoa, mas existe também um limite para a questão de desconfiança. Não se pode desejar depositar 50 mil reais em uma conta de banco da África do sul, porque você recebeu um e-mail sobre uma velhinha que sofre de malária e precisa do dinheiro para o tratamento. O exemplo foi nítido para provar que só não vê o perigo e a necessidade de desconfiança quem não quer.
Mas eu não estou aqui para falar de paquera, ou pedofilia, ou mesmo do senhor que passa o dia inteiro sentado no boteco e que assobia todas as noites para a sua namorada. Eu estou aqui para falar das pessoas que passam despercebidas aos nossos olhos, mas não por que passam por nós no dia-a-dia sem termos tempo de sequer enxergar elas. Eu vim falar sobre a atendente da padaria, que tão bem me tratou (não, não estou apaixonado). Quero falar sobre todas as pessoas a quem ela ira atender ainda hoje, que não iram agradecer-la ou sequer olhar-la no rosto.
Garis, faxineiros, atendentes de caixa de supermercado. Outro dia fui à minha cafeteria favorita perto da universidade, e levei alguns amigos meus. Cumprimentei todos os funcionários. Mas quando vieram atender a minha mesa, eu senti agonia. Meus amigos faziam os pedidos olhando para o cardápio, e mal agradeciam quando o pedido chegava. Mais tarde, eu conversei com eles, pedindo que da próxima vez, ao menos olhassem a pessoa no rosto enquanto falam.
Talvez por um bizarro senso de classificação social, as pessoas tendem a enxergar como inferiores as pessoas que trabalham para atender a outras. Fazendo serviços que supostamente exigiriam menos estudos ou dedicação intelectual do que outras profissões, como médicos ou advogados. Já ouvi histórias sobre um homem muito bem de vida que pronunciou em uma mesa de restaurante onde levara uma bela guria:
_Pra quê agradecer um garçom? Ele só está fazendo o trabalho dele, e é bem pago para isso!
Acabou que o seu encontro levantou da mesa e nem sequer despediu dele. Pois a ele eu faria outra pergunta. Você agradece a um médico quando este te ajuda a recuperar seu joelho após um longo tratamento? Você agradece o seu advogado quando este te ajuda a não ser extorquido durante um divórcio? Caso não, você é bem ingrato. Mas caso sim, por que não faz o mesmo com o garçom que tão bem te atende? Ou você prefere buscar o seu prato na cozinha do restaurante?
O trabalho dignifica o homem, e a mulher com certeza! Nunca julgue uma pessoa pela função que desempenha. Fazemos todos parte de um só grande organismo, e uma parte não funcionaria bem sem a outra. Sem mais delongas sobre as implicações econômicas da questão, faço um breve pedido a todos. Tratem bem as pessoas à sua volta, ainda mais quando reconhecer que o seu dia não seria o mesmo sem a presença destas. Que a moça da padaria possa continuar sorrindo, e trabalhando sempre na sua felicidade inabalável.
Ainda que não na devida frequência, por vezes eu penso sobre meu futuro e meus sonhos. Já me imaginei um engenheiro renomado e admirado. Um verdadeiro criador de maravilhas inimagináveis. Casado, dois filhos, morando em uma casa a qual eu mesmo teria projetado, arquitetado e preenchido com minhas criações. Imaginava-me como um verdadeiro Tony Stark.
Quando jovens, o nosso futuro parece uma promessa distante, quase inalcançável. Torna-se fácil fazer promessas de mudanças para o tempo em que nunca imaginamos chegar. Mas um dia o tempo cumpre o seu papel e nos força a decidir por qual caminho tomar. Será que fomos preparados para este momento? Será que estamos preparando os nossos jovens para escolher suas profissões?
Estou no primeiro período de engenharia elétrica, e já fui responsabilizado pela criação de um carrinho que siga a luz por conta própria. Empolgado com o projeto, já o desenvolvi em completo na teoria, fiz os componentes funcionarem dentro da minha arbitrariedade, mas não terminei o protótipo. Entusiasmado como não estive em um bom tempo, eu pareço estar finalmente começando a fazer aquilo que sempre sonhei; fabricar robôs. Sempre tive para mim uma visão poética a respeito dos ditos cientistas malucos, enfurnados em um laboratório por semanas seguidas. Excêntricos, porém ainda assim admirados por todos.
Quando criança, meu pai (engenheiro elétrico, por não coincidência) me comprou uma protoboard que tem o dobro do tamanho das usualmente encontradas (são duas unidas em uma). E me ensinou a brincar com letreiros digitais, daqueles que se escreve usando sete leds em forma de traço de maneira a compor um oito na sua totalidade. A partir deles, eu escrevia qualquer número, e até mesmo algumas letras. Uma vez preparados o enorme emaranhado de fios, eu apertava um botão e um número aparecia. Apertava o botão novamente e o número se apagava. Até mesmo alguns chips eu cheguei a utilizar. Eu tinha nove anos de idade.
Aos dezesseis, a minha paixão por dispositivos eletrônicos retornou quando tive de desenvolver um solenóide para servir de campainha. Sem temer exageros, peguei um bastão de ferro de dois centímetros de grossura e vinte centímetros de comprimento. Enrolei nele algo em torno de um metro de fio de cobre de 0,9 milímetros. Era um belo de um imã, potente que só vendo.
Ainda que bem determinado para prestar o vestibular, eu me sentia desmotivado pela dúvida. Duvida que só surgiu quando comecei a escrever meu primeiro livro. Duvida que cresceu durante o meu pré-vestibular, quando fiz muitas amizades com “pessoas de humanas”.
Com um bocado maior de maturidade a respeito do assunto, hoje eu diria que não existe tal coisa como ser uma pessoa de exatas ou humanas ou biomédicas. Pessoas são pessoas, somos feitos de várias ideias, e não apenas de um conjunto limitado de ideias. As pessoas têm interesses diversos, desejos diversos, sonhos diversos. Não podemos julgar alguém de maneira tão categórica e dividida.
O que me leva a pensar sobre a forma com que forçamos nossos jovens a escolher por qual caminho tomar, para qual face de sua personalidade ele deve dar maior valor. Mas será que estamos dando a esses jovens as ferramentas certas para escolher que caminho ele deseja seguir para o seu futuro?
Quando penso sobre nossas escolas, me enojo. Não pelas recordações pessoais, estas estão quase que completamente bloqueadas de minha memória (por conta dos maus bocados que lá enfrentei). Penso sobre como o conceito de estudo parece ter sido totalmente deturpado. Estudar, nada se relaciona a encarar a nuca de crianças da mesma idade por quatro horas e meia enquanto se anseia pela hora de voltar para casa e jogar videogame. Voltando um pouco para as minhas memórias pessoais, meu ensino fundamental e médio se resumiu a isso, ansiedade e desespero; impaciência, angústia! Não há quem possa suportar pelas horas e horas de aulas enfadonhas e desinteressantes. Pelo contrário do que possa pensar, eu era um bom aluno, tirava notas boas. Mas tudo por conta da minha capacidade de engolir enormes amontoados de conhecimento, e vomitar-los em uma folha na qual estava escrito:
“Lembra daqueles assuntos os quais lhe falei em minhas aulas, e os quais você sublinhou-os em seus livros? Despeja-os aqui, o máximo que puder lembrar.”
Para depois me esquecer em 99%, tudo o que supostamente deveria ter aprendido. Mas ora, que há de aprendizado nisso? Estudo, o verdadeiro estudo, começa quando se deseja obter um determinado conhecimento, é quando se reconhece a necessidade de um conhecimento, e então você persegue esse conhecimento. O estudo vem da necessidade de resolver um problema, ou de compreender melhor sobre um assunto.
Eu sou um estudioso, mas nunca estudei na escola. Estudo sobre o que me interessa, e quando se trata de aprendizado, conhecimento nunca me falta. Vou tratar o assunto agora de uma maneira demais cretina ou inusitada (no mínimo). Que dizer ou pensar sobre os “Gamers”? Quanta injustiça eu vejo, mães que vêem seus filhos o dia inteiro na frente do computador jogando “joguinhos” e ainda dizendo que seus filhos nunca estudam. É deveras cego quem faz tal afirmação, pois saiba que seus filhos são verdadeiros estudiosos, da classe dos mais dedicados o impossível!
Eles sabem tudo! Absolutamente tudo a respeito dos games. Muitos deles se tornam especialistas na área. Verdadeiros doutores sobre o assunto. Escrevem artigos, publicam pesquisas, discutem em fóruns e até mesmo dedicam prêmios dignos de prêmios acadêmicos para os maiores conhecedores e estudiosos dedicados para a área.
Antes que me julgue (ou os julgue) pense que conhecimento é conhecimento. Não se pode olhar para um ou outro e dizer quem é melhor. Mesmo revista de fofoca traz algum conhecimento, mas cabe a nós decidirmos qual conhecimento devamos buscar.
O que volta à pergunta original. Como saber se estamos dando aos nossos jovens as ferramentas para buscar o conhecimento por conta própria? Talvez, se deixarmos de forçar tanto conhecimento goela à baixo, eles poderão ter maior espaço e liberdade para escolher por conta própria, basta que forneçamos recursos para eles. Não existe maior incentivo do que a liberdade de escolher por cumprir ou não cumprir com os nossos desejos.
Existe um evento da cultura brasileira que se repete a cada dois anos. A poluição aumenta consideravelmente na forma residual, auditiva, visual e intelectual. Debates políticos se tornam corriqueiros entre cidadãos comuns, ainda que os mesmos tenham ignorado as notícias sobre o assunto durante todo o período externo a este evento. Não os culpo, eles são forçados a isso.
Processo Eleitoral. A festa da democracia, no sentido mais literal possível. Pois não apenas parece uma festa, mas a de fato é! Comícios, festas, brindes, presentes e convidados especiais. A impressão que tenho, é de que os candidatos gastam mais tempo e dinheiro se promovendo para os eleitores, do que trabalhando para atender aqueles que tanto se esforçou para entreter.
Direito ou obrigação? Os dois. É um direito que lhe é forçado pela goela. Surge uma onda, uma febre, onde todos se tornam especialistas e exímios peritos no assunto. Mas a maioria o faz por obrigação, e não por direito. Elas se sentem forçadas a tomar partido e opinião sobre um assunto o qual são habilmente instruídas a não pensar sobre (pelo menos não diretamente.
Poder de cidadania se resume em operar valores premeditados em uma urna? Valores não apenas em números, mas em valores sociais. A democracia se restringe à eleição? Não haveria forma de o cidadão tomar a voz, ainda que sem estar em posse de seu título de eleitor?
A imprensa tem um papel muito especial nesse festival. Durante o período externo à eleição, ela bombardeia a população com notícias sobre a má qualidade do sistema de saúde, educação, transporte e a falta de segurança. Mas curiosamente, ela nem sempre faz questão de enfatizar a quem compete à responsabilidade de resolver problemas dessa natureza. Portanto os jornais nada mais incentivam se não a insatisfação e o medo por parte da população. Medo sem atitude, insatisfação cômoda. Mas durante o período das eleições, ela não simplesmente intensifica o seu papel de “denúncia”, mas faz questão de transformar em estatística e em gráficos todas as notícias dos períodos passados. Sendo, portanto, uma forma de incentivar o cidadão a procurar por um candidato que resolva tais problemas. Muito bonito, interessante. Mas será que o momento de reclamar é apenas na época de eleições? O poder de voto parece ser visto pela população como um balançar de uma varinha mágica, onde resolver os problemas ou não se resume a uma questão de boa escolha. Mas caso você girar a varinha errado, o feitiço pode falhar, ou mesmo se voltar contra você. Parece muito falho e impreciso, precisa haver outra meneira.
Marxistas de carteirinha teimam em dizer:
“Já passou da hora das massas assumirem o poder!”
A massa cinzenta de quem clama tal alegação parece tender mais para massa de bolo à massa cerebral. Um boló de ideias obsoletas e experimentalmente (e na prática também) provadas como falhas. Muito se clama por uma revolução na sociedade. Particularmente, creio ser necessária uma revolução na mente dos homens, para depois mudar o sistema.
Quando se precisa reivindicar por melhorias no seu bairro, que atitude o cidadão toma? Espera pela próxima eleição para procurar um candidato que atenda os seus pedidos (arriscando não encontrar nenhum)? Não há tempo para esperar, político bom não cai do céu. Devemos de organizar a nossa comunidade, debater os nossos problemas e exigir não apenas nossos direitos, mas atitude por parte dos governantes!
As massas não precisam tomar o poder, mas exercer o poder que já lhe compete. Precisamos abrir as nossas mentes, e atentar para as oportunidades que vão além das eleições. Meu voto, eu já decidi. Nulo para todos os cargos. Prefiro exercer minha cidadania de outra forma, muito obrigado.
É chato parecer redundante, mas tem um assunto que eu gostaria de revisar antes de comentar sobre a lei que proíbe o humor político. (Sim! Não vou nem mesmo me dar o esforço de fazer uma introdução para o assunto):
Argumentum ad Hominem
1 - A pessoa X possui um argumento Y.
2 - A pessoa X possui algo ou é algo criticável.
3 - Portanto Y é falso.
É uma das formas mais básicas de uma falácia, invalidar o que uma pessoa diz, invalidando a própria pessoa. O que é o humor, se não uma falácia? Expor uma pessoa, ou uma idéia ao ridículo, para nada mais serve senão para o empobrecimento intelectual e cultural de um debate. Experimente entrar em uma escola do nível fundamental e perguntar para um guri da quinta série:
_O que você pensa do presidente Lula Pedrinho?
_O Lula é um idiota!
_Ora, mas por que você pensa assim? O que ele fez de errado no governo dele?
_Eu não sei! Só sei que ele só faz besteira, e que todo mundo fala mal dele.
Bem observado Pedrinho. Tanto se ocupa em ridicularizar a imagem de pessoas públicas com piadas e trocadilhos de todos os tipos, que acabamos por perder o foco das coisas que realmente deve ser levadas em consideração. Qual é o cenário político que encontramos hoje? Quais são as propostas dos candidatos? Por que tanta necessidade de se fazer humor com coisas tão sérias?
Lutar pela liberdade de expressão? Tudo bem, por que não lutamos também pelo direito de fazer apologia às drogas, ao crime; o direito de chamar os negros de pretos macacos; o direito de dizer que o homossexual é um doente e que deve de ir para a cadeia; ou ainda o direito de reproduzir qualquer idéia falaciosa e agressiva? Direito de expressão, dá direito a muitas pessoas falarem muito sobre o que não devem. O direito de expressão acaba permitindo a imprensa de invadir a privacidade alheia, e expor idéias totalmente equívocas sobre coisas que não cabe a ela tratar sobre. Quantas vidas nós teremos de esperar ser destruídas por uma mídia tendenciosa, que tem o poder de condenar um inocente pela opinião popular? Você quer o direito de expressão? Então comece a medir melhor suas palavras, pois ela tem um forte poder de influência sobre qualquer pessoa. E é justamente essa influência que torna cabível a proibição do humor político.
Eu posso ter usado o exemplo de uma criança. Mas quantos adultos e eleitores não têm o mesmo raciocínio de Pedrinho? De tanto reproduzir uma idéia deturpada, as pessoas perdem de vista o fundamento. O prejuízo do humor é também o fato de ele provocar risos em seus leitores. Quantas verdades, por mais que cruéis, não se tornam mais aceitáveis a partir do momento em que nos permitimos rir delas. Conformismo não rima com atitude! Qual é o problema de expor a realidade de e a suas idéias sem utilizar a ferramenta do humor? Se pensa que alguém foi ridículo em alguma atitude, então assim o diga:
_A atitude do candidato foi ridícula!
As consequências são para você enfrentar ou não. Não se esconda por trás da cortina de ferro da licença humorística. Quer expor idéias? Faça como eu, seja explícito, como eu bem farei agora!
A verdade, é que eu não me importo. Votarei nulo. Não por que eu não conheça a proposta de nenhum candidato, pois eu conheço e reconheço até alguma que talvez me agrade. Mas é por que não faz sentido eu tomar partido em uma disputa que eu reprove por completo. Eu desaprovo o nosso regime político, e por isso não faz sentido eu me importar com as eleições.
Maldito o dia em que derrubaram a Bastilha. Não que isso fosse algo ruim, ou ainda que o povo francês não tivesse motivo para se revoltar com o Rei Luís Dezesseis. Mas é sobre as consequências que eu me lamento. A revolução francesa acarretou no maior engano da história da humanidade: A “democracia social”. De democracia, o nosso regime não tem absolutamente nada! Quantos dos eleitores tiveram a oportunidade de participar da votação da eleição dos candidatos apontados por cada partido? Repito aqui, a célebre frase:
“O poder de voto nada mais é do que o poder de escolher com qual tempero você será devorado.”
De fato, que diferença faz? Estamos falando de um governo que não exerce nem mesmo 1% da sua capacidade administrativa. Você sabe o que foi o escândalo do mensalão?
Tomamos um partido genérico A e um partido genérico B rivais entre si. Um dado dia, o partido A apresenta no plenário a proposta X. Como o partido B desgosta do partido A, apesar de considerar a proposta X muito boa, vota contra a proposta. Pela diferença de voto conseguida por influências nas coligações, a proposta X, ainda que muita boa, não consegue aprovação. Não passado uma semana, o partido B apresenta a proposta (X+0,75) – que nada mais é do que a proposta X com poucas coisas a mais. Indignados com o plágio feito pelo partido B, o partido A vota contra a proposta (X+0,75), pois não querem dar os créditos para o partido B. Sendo então, a proposta passa de mão em mão, e nunca é aprovada. Como solucionar esse problema? Simples, molhe a mão de todos os integrantes de todos os partidos com dinheiro público, sendo assim, todo mundo aprova qualquer coisa e todos vão dormir felizes. Todos vão dormir felizes? Pode ser meio difícil dormir com quinze pedaços de pizza pesando no estômago, você teria pesadelos tenebrosos. É chato, é incômodo pensar dessa maneira, mas o mensalão era uma mão na roda para tentar fazer a máquina administrativa funcionar. Essa máquina se tornou muito pesada, e ela pesa no ombro de todos nós, e mesmo nos ombros dos políticos.
Eu poderia aqui continuar citando, diversos e diversos defeitos dessa grande ilusão chamada democracia e liberdade de expressão que muitas pessoas acreditam estar vivendo, mas eu prefiro concluir logo essa longa prosa voltando ao assunto principal. Por que se ocupar fazendo humor sobre coisa que deveríamos de encarar com uma seriedade maior? Quer provar o seu ponto? Quer ser ouvido e entendido? Mostre argumentos, levante a sua voz e fale, fale e fale!