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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Projeto Vénus

O Projeto Venus apresenta uma visão nova e arrojada para a humanidade que requer nada menos que o total re-planejamento de nossa cultura. Hoje, existem muitas pessoas preocupadas com os sérios problemas que confrontam nossa sociedade moderna: desemprego, crimes violentos, substituição de humanos pela tecnologia, superpopulação e o declínio nos ecossistemas terrestres.
Como você verá o Projeto Venus se dedica a enfrentar todos esses problemas ao envolver-se ativamente em pesquisas, desenvolvimento e aplicação de soluções viáveis. Através do uso de abordagens inovadoras para a conscientização social, incentivos educacionais e a aplicação consistente do melhor que a ciência e tecnologia têm a oferecer diretamente ao sistema social, o Projeto Venus oferece um plano abrangente para a restauração social no qual os seres humanos, a tecnologia e a natureza serão capazes de coexistir num estado de equilíbrio dinâmico sustentável e de longo prazo.


            Esse é o texto que retirei do site The Venus Project. Embora só tenha lido superficialmente sobre o projeto, me interessei por ele o suficiente para adicionar um banner no meu blog. Pretendo estudar mais profundamente sobre as ideias projetadas por Jacque Fresco, o idealizador e arquiteto do Projeto Venus. Mas convido a todos que tiverem interesse, para pesquisarem e lerem sobre o assunto também, em todo caso, voltarei a escrever sobre o assunto quando tiver 

conclusões mais definidas. Até lá, boa semana a todos!

Algumas referências extras:
Um outro blog
Livros sobre o projeto

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Brasil-Português

           Nem sempre gostei escrever. Aos meus 14 anos fazer engenharia elétrica era uma idéia nítida e inviolável. Tendo meus hábitos mentais totalmente voltados para o campo das exatas, eu tentava esquematizar o meu estudo de maneira lógica e metódica nas outras matérias. Criava teoremas, padrões, regras, e modelos matemáticos para me facilitar o estudo das coisas que não pareciam tão claras e óbvias quanto “ax +b = y”.
            Ainda que depois de reencontrar-me com minha veia filosófica e metafórica, eu continuo por utilizar de equacionamentos dentro das ciências mais subjetivas, como a história e a sociologia. Fiz dessa característica o meu diferencial. Permitindo-me enxergar eventos e acontecimentos de maneira por muitos tida como inusitada. O que para outros possa ser visto como palavras desconexas e abomináveis, para mim é racionalização e lógica. Fato é que no campo das humanas, não existe resposta errada, apenas uma forma diferente de enxergar as coisas.
            Um dos diversos modelos que criei na minha época de colegiado foi sobre o processo de colonização ocupacional. Imaginemos uma civilização X que deseja dominar e colonizar uma civilização Y. Existe uma série de processos e recursos que a civilização X terá de lançar uso durante o processo de domínio. Primeiro, ela terá de impor sua ocupação através da superioridade bélica. Caso queria evitar um massacre, ela terá de exibir as suas armas mais poderosas, a fim de intimidar a civilização Y, e dominar-la então pelo medo.
Uma vez dominando o território pela força bélica, é preciso conquistar o seu espaço no meio cultural da civilização Y, substituindo a cultura de Y pela cultura de X. Devem ser abertas escolas para ensinar aos cidadãos de Y, a língua, a história e toda a doutrina da sociedade natal de X. Passar ensinamentos religiosos, de maneira a derrubar a religião de Y, e por fim impor todo o regimento de normas e comportamentos de X em Y.
Como se não bastasse, X deverá por os recém convertidos cidadãos de Y para trabalhar nos ofícios por eles designados. Parênteses: Eles devem trabalhar em ofícios de baixa e média remuneração, e cujo lucro do trabalho fique concentrado nas mãos de X, deixando para os trabalhadores de Y apenas o salário obtido pelo mais valia.
Uma vez definido o modelo acima, dele pode-se referir diversos exemplos, e acrescentar também diversas variações. Lembrando que o processo descrito acima não trata da colonização mercantilista. Dado tal idéia, quais exemplos você, leitor, procuraria referir sobre esse modelo descrito? Em uma representação de (X,Y), citaríamos (Inglaterra,Índia); (EUA,Japão); (Inglaterra,Treze Colônias); (Inglaterra,África do Sul). Mas como o título dessa prosa bem sugere, deve imaginar que eu estou aqui para falar sobre a colonização brasileira. Pois para ser sincero, foi exatamente o exemplo no qual me baseei para montar esse modelo. Mas não estou aqui para falar do nosso ouro nas igrejas de Portugal. Nem mesmo sobre o nosso ouro que foi usado para propulsionar a industrialização da Inglaterra (Não consegue ver a ligação? Desculpe, não quero fugir do foco).
De toda a minha analise, o elemento inusitado eu sempre guardo para o final. Pois após ser bombardeado noite e dia com notícias e comentários sobre a ocupação das favelas no Rio de Janeiro, não posso evitar falar sobre o assunto que não gostaria redundar em meu blog. Mas quando a realidade reflete nas minhas obras anteriores aos acontecimentos, por mais que me custe, sou obrigado a trazer um feedback.
Já estabeleci aqui antes, na minha postagem sobre o “Tropa de Elite 2” (Vinagre), mas volto a pontuar. As favelas do Rio de Janeiro já estão em um perfeito estágio de paralelismo de poder com o nosso estado. Funcionam exatamente como um núcleo independente, utilizam de táticas de guerrilha e comportam-se como uma. Em muito a ocupação das favelas do Rio, coordenado com a autorização do Governo do Estado do Rio de Janeiro, se assemelha para mim com uma operação de reconquista. Um processo colonial, onde o nosso estado (brasileiro?) pretende dominar e conquistar o território que foi perdido para o estado paralelo.
As FARQ’s, o IRA, o ETA, e diversas outras regiões que desejam ou já desejaram emancipação territorial do estado vigente no país em que vivem, fizeram uso do terrorismo para tentar impor suas independências como nações. Suas lutas, ainda não alcançaram a vitória em nenhum exemplo que possa ser citado. Não seria diferente com os traficantes das favelas. Mas caso me pergunte, em que ponto eles praticaram terrorismo, peço que junto com uma revisão das últimas notícias sobre o Rio de Janeiro antes da operação das forças armadas, leia o texto que virei a expor abaixo. É a declaração que foi distribuída em forma de carta aberta para os moradores das favelas e das regiões periféricas à mesma:

           “Atenção

            Foi decretada pela união dos partidos dos partidos CV, ADA e CTP todos outros partidos que tenha respeito e lealdade, força, humildade e amor no coração e muita dignidade a favor de toda comunidade, por favor se unam a nós.
            Foi decretado pela união dos partidos, que quando tiver repressão da polícia em qualquer favela fazendo covardia, derramando sangue, todas as comunidades pegaram seus fuzis e atiraram em prédios, em carros importados e no que tiver de mais rico próximo a sua favela, saqueando empresas, lojas e mercados!
            Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.
            Foi decretado pela união dos partidos, que cada integrante de partido que a polícia matar morrerá dois policiais e seus familiares, pela união das comunidades que cansou de covardia dos policiais e do sistema, porque são eles que trazer as drogas e as armas, o empresário financia e a policia facilita ficam os políticos roubando bilhões, matando muita gente só com uma caneta, depois quer mandar quem trás as drogas e as armas para o partido vir aqui na comunidade e matar inocente pobre não dá lucro para boca de fumo, quem compra todas drogas são as classes médias e os ricos.
            ‘Irmão, pode pisar em qualquer favela olhando na bola dos olhos, mostrar que esse modo de agir é retrólogo, a revolução verbal é aterrorizadora, junta seus pedaços e vem para a arena nosso irmão do PCC  falou que o inimigo está de terno e gravata e em nome da paz e a favor de todas as favelas, que é a hora de união, de revolução. Definitivamente, sem união não dá, então vamos todos juntos.’ “

            Esclareço aqui, que apenas transcrevi a carta exatamente como esta foi enviada. Sem o menor rigor de regência temporal ou nominal, sem coesão textual e nem mesmo uma pontuação digna de legível. Acho que fica bem claro que não inventei tal carta, apesar de não ter tido contato direto com ela. Mas dela, eu gostaria de destacar apenas um parágrafo:

“Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.”

            Essa, para quem não percebe, é uma declaração de guerra, uma promessa terrorista. Pois então, dito e feito. Os atentados do dia 23 de novembro se aconteceram devido à promessa de guerra feita pela “união dos partidos” dos guerrilheiros das favelas do Rio.
“Favelas do Rio”, “Traficantes”, tento dar um nome para esse estado paralelo, mas me esqueço que ele tem nome. O PCC (Primeiro Comando Capital) já tentou assumir e coordenar revoluções no passado. Todos lembramos bem das centenas de ônibus queimados todos os dias nas grandes capitais do Sudeste. Na época, o fogo parecia ter sido contido, mas pelo que se percebe, ele apenas correu para o subsolo, e lá, cresce até que pensou estar forte o bastante para emergir e mostrar a sua fúria.
Primeiro o estado republicano (não posso apontar para um e chamar de Brasil) ocupou o território utilizando de toda a sua força bélica. Tudo com o intuito de combater velozmente os guerreiros da região, deixando o mínimo de vítimas civis no território (durante a operação, é claro). Estamos agora no período de pacificação, onde a população local começa a ganhar certo afeto pelos dominadores. Em seguida já se pretende colocar em prática o programa de redirecionamento cultural. Centros de recreação, centros de referência cultural para o jovem (como o que eu frequento na minha cidade) e escolas por toda a região.
Avançando mais no processo, pode-se ainda condicionar essa população para trabalhar em empregos de baixa remuneração. Explorando a mão de obra deles e aproveitando para ampliar o mercado consumidor. Analogamente aos operários de máquinas de tecelagem durante a revolução industrial da Inglaterra. Onde o operário gerava um lucro dobrado para os grandes empresários, pois além de trabalharem ganhando muito, o escasso salário servia para alimentar novamente os empresários, pois dependiam dos produtos industrializados para sobreviverem.
Ampliando a idéia da etapa citada acima, é a maneira mais comum de concentrar as riquezas nas mãos de poucos. Mantendo uma classe operária como rebanho extensivo, salários baixos, mas que dão condição a eles comprarem os produtos produzidos pelos próprios patrões. Conclusão, o dinheiro sai das mãos dos grandes empresários através dos salários, mas retorna com a venda dos produtos aos próprios operários.
Segundo parênteses: Como você imagina que a economia brasileira tem crescido nos últimos 4 anos? A mesada, chamada salário mínimo mais bolsa família estendida pelo governo lula, engrossou a classe econômica C que passou a ter mais poder de consumo, movimentando mais o mercado das indústrias e empresas brasileiras. Resultado? Mais dinheiro nas mãos de quem já tinha muito dinheiro, e salário mixuruca para os trabalhadores.
Eu citei o exemplo da chacina dos traficantes do Rio, como a pior solução possível na minha postagem sobre o TE2, pois já que fiz uma previsão certeira, eu deixo aqui o meu segundo aviso. Por mais que pense como certo ocupar as favelas, matar os traficantes e doutrinar essa população a tanto tempo oprimida, não se esqueça dos nativos que aqui viviam antes dos portugueses chegarem. Sim, justamente o primeiro exemplo que você pensou quando falei em colonização. Agora pense em todas as emoções que se expressaram na sua juventude rebelde, quando estudou sobre a exploração portuguesa em nossa terra. Pois o nosso estado está cometendo a mesma abominação. Concorde comigo ou não, a minha previsão é essa. De Brasil em Brasil, nós nos perdemos na nossa imensidão, pois te peço agora: “Brasil, me mostre a tua cara!”, pois não te reconheço mais.

domingo, 10 de outubro de 2010

Vinagre

   O dobro de sangue, o dobro de denúncias, o dobro de tudo! O filme, Tropa de Elite2, é em dobro exatamente tudo o que o seu precedente foi. Acabou por causar em mim, consequentemente, o dobro de reflexões. Gostaria, pois, de fazer algumas considerações a respeito dos assuntos abordados no filme.

   Sistema Carcerário e a Polícia:

   Para melhor entender as prisões e a importância da atuação da polícia, é preciso ter em mente alguns conceitos básicos a respeito do contrato social. Pela lei do livre arbítrio, todos nós somos livres para fazer o que bem entendermos, desde respeitemos a duas condições. Não podemos fazer nada que comprometa a liberdade de outro indivíduo, e também não podemos tomar atitudes que prejudiquem o bem comunitário de maneira direta ou não. A função da polícia é justamente restringir a liberdade das pessoas para que elas não descumpram com nenhuma dessas restrições.
   Por favor, não compreenda isso como algo negativo. Nós temos o direito de fazer nossas escolhas, desde que arquemos com as consequências de nossas atitudes. Muitos acham que é obrigação da polícia garantir a atuação da lei, mas essa na verdade é a função do sistema judiciário. A polícia é um órgão regulador das atitudes individuais dentro da sociedade. Ela foi criada para prevenir, combater e prender aqueles que não seguem as leis que foram constituídas respeitando as restrições do contrato social. E é justamente sobre as prisões que eu desejo dar maior enfoque. Falo agora da teoria do cárcere.
   O que fazer quando um indivíduo deliberadamente opta por não seguir as leis determinadas para o estado? Uma pessoa assume característica de um verdadeiro criminoso no momento em que ela conscientemente passar a cometer infrações por que discorda da lei. É quando o crime se torna uma iniquidade para o indivíduo. Cometer UM crime, não necessariamente o torna criminoso. Criminoso é aquele que sabe que está a ponto de infringir a lei, mas o faz sem hesitar. Quando um indivíduo assume tais características, a solução é isolar ele do meio social. É justamente esse o objetivo das prisões, isolarem o indivíduo, para que este não cometa mais crimes. E isso é parte do dever da polícia, uma vez que ela é responsável por evitar que o bem comum seja maculado. Para isso, nada melhor que evitando que criminosos circulem pelas nossas ruas, certo? Não teria tanta certeza, ainda mais considerando a nossa realidade.
   Vamos sair um bocado do campo teórico da coisa e tentar analisar a situação real da nossa polícia e das prisões do país. É difícil eu falar sobre a polícia sem mencionar as minhas más experiências com a mesma. Não, eu nunca fui preso ou levado para a delegacia. Eu estou falando de vezes em que pedi socorro a policiais, e os mesmo demonstraram total indiferença em relação aos problemas e situações por mim apresentados. Ineficaz e desinteressada são as características que eu atribuiria a polícia. Mas isso foi uma visão muito localizada a respeito da mesma (e pessoal também). Vamos tratar do assunto que parece ter ganhado o mesmo valor mítico dos filmes de Velho Oeste americanos, o combate ao tráfico de drogas:
   _Se existe droga é por que tem drogado.
   Muito interessante o seu ponto senhor presidente da república. Só mesmo o nosso representante da nação (diplomata de quinta) para proferir uma frase tão sem sentido como tal. Por acaso para haver drogas é necessário haver drogado primeiro? Para se consumir drogas, é necessária que a mesma seja fabricada. Mas quem é ingênuo a ponto de pensar que antes você precisa de mercado consumir para depois produzir a droga? O mercado consumidor é você quem cria! Um interessante exemplo é a maneira com que a Inglaterra conseguiu viciar ate mesmo o Imperador da China nas delirantes viagens provocadas pelo ópio. É simplesmente uma das maneiras mais brilhantes de se dominar e controlar uma população. Eu já falei muito aqui sobre técnicas de controle mental em massa, pois lhe apresento mais uma, narcóticos!
   O que acontece quando você junta favelas (pessoas muito humildes, ainda que na teoria) e traficantes de drogas bem armados? A resposta deveria estar na ponta da língua de todo intelectual de esquerda (mas não está) e é Estado Paralelo. As favelas dominadas pelos traficantes funcionam como um verdadeiro câncer na nossa sociedade, pelo simples fato de elas apresentarem um núcleo de estruturas completamente diferentes da nossa. Eles têm o próprio governo, sistema judiciário, militar, assistência social, polícia e até mesmo arrecadação de impostos. Facções disputam o poder de cada região quase que na mesma mecânica que partidos disputando cargos eleitorais. Tudo opera de maneira independente ao nosso sistema governamental. A única forma de atuação do nosso estado dentro do deles, é através das forças armadas. Isso não caracteriza para você uma intervenção militar como que feita em outro país?
   A discussão a respeito do combate de drogas, à minha maneira de ver, deveria focar mais a respeito de como encarar o problema e a situação desse estado paralelo. Para quem questiona a legitimidade do mesmo, eu vou dar um pequeno exemplo de outra polêmica que implícita uma discussão sobre ele.
   O gênero de música Funk é cultura ou não? Cuidado ao responder, você ao menos sabe o que é caracterizado como cultura? Toda e qualquer forma de manifestação que expressa algum valor a respeito de um povo, população, etnia, comunidade ou grupo. Você pode pensar que o Funk não te representa, mas ele representa a realidade do favelado. Sim, incluo aqui mesmo ainda (ou principalmente) todas as músicas que só implicam em incitações sexuais, pois é daquela maneira que eles vivem (vulgo, índices de gravidez na adolescência). Creio que pouco preciso comentar sobre o fato de ele ser amplamente consumido entre jovens e adolescentes de diversas classes econômicas e sociais.
   A interpretação de estarmos enfrentando uma segmentação do poder dentro do nosso país implica em algumas más conclusões. Uma vez que eles são um “câncer” na nossa sociedade, o que fazer com eles? A própria medicina parece não ter encontrado outra solução se não a eliminação do mesmo. Leia “eliminação” da maneira mais literal possível, eu estou falando de extermínio, matar todos os traficantes. Cárcere não é suficiente para lidar com o problema? Não, para esse caso, e para essa maneira de enxergar, não. Estude com mais cuidado a realidade das nossas prisões, e logo saberá responder por que o lugar desses indivíduos não pode ser a cadeia (afinal, foi lá que tudo começou). Mas seria um massacre indiscriminado de qualquer um portando armas em favelas a melhor maneira de lidar com essa situação? Garanto que para todos os casos é a pior, porém não pior do que tomar nenhuma atitude.
   Muito já falei a respeito, e volto a repetir. Uma das maneiras mais eficazes de tornar justificáveis quaisquer atitudes ditatoriais ou de suprema violência que venha a cometer é combatendo um falso inimigo. Para o brasileiro cidadão comum, a própria palavra “traficante” causa a mesma sensação de náusea e temor que a palavra “terrorista” para um norte americano. Fotos de homens vestindo mascaras e portando metralhadores são tão bombardeadas nos noticiários que qualquer um é capaz de fazer uma imagem perfeita de qualquer descrição que eu faça a respeito de um traficante. Mas não é só por conta disso. Diferente dos terroristas da Al-Qaeda, os traficantes são um problema real na nossa sociedade. Nós lidamos com eles diariamente, e sofremos diretamente as consequências por essa forte proximidade. Mas não devemos de confundir o conceito de um problema com a mitificação de um inimigo. O governo parece habilmente manipular a imagem do traficante para dar a ele proporções maiores, de maneira a ocultar a sua própria carga de culpa e mesmo responsabilidade para com essa realidade.

   Politicagem e a Imprensa:

   Antes, uma breve palavra sobre o dia da eleição. Deveras, nunca presenciei maior terror do que as ruas da minha cidade durante esse “festival da democracia”. As ruas estavam inundadas de panfletos por todos os cantos possíveis. E depois de terminada a apuração, foi mais atormentador do que o próprio carnaval. Carreatas, com direito a um “show” especial para comemorar a Eleição do governador do meu estado. Nunca senti o ódio da maneira que senti naquela noite.
   Nunca compreendi por que tanta disputa para se tornar um funcionário do estado. Na minha concepção, ser político consistia em trabalhar exclusivamente para o bem comum. Ingenuidade minha, não é mesmo? Claro, acontece que eu não estava analisando a situação que nós criamos para esses ditos “representantes do povo na máquina do governo”. Ninguém representa ninguém, e nem nunca mesmo esteve interessado com o bem estar social. Essa é a conclusão que chego hoje. Pois do contrário, como explicar tantas promessas e mudanças de coligações, partidos, comícios e os milhões gastos nas campanhas eleitorais? Cada um querendo defender o próprio interesse, garantir o próprio peixe, e pagando tudo com o dinheiro do estado.
   Você sabe quem é o Estado (ainda que apenas na teoria)? Nós somos o Estado! O Estado é a Nação, e o povo é a Nação Brasileira! Seguindo esse raciocínio, nós somos os patrões de todos os políticos, pois o dinheiro que paga o salário deles sai do nosso bolso. Afinal, eles não são Funcionários do Estado?
   É demais interessante a maneira com que a imprensa lida para falar sobre os problemas sociais. Violência, saúde, educação, desemprego. Sempre dando uma enorme ênfase à precária situação do nosso país. Quando é para expor algo negativo a respeito da política, todos são corruptos. Partindo dessa premissa, nós estamos todos na merda, e as únicas pessoas que têm poder para mudar a nossa situação são todas corruptas. Esse não parece ser um ponto de vista muito construtivo em minha opinião. Que tal se a imprensa se dedicasse a denunciar os problemas e posteriormente instruir a população sobre maneiras de exigir aos seus governantes atitudes para com a situação? Para quem pensou que para isso existe a eleição, eu peço que pense uma segunda vez. Se não houver uma maneira mais direta para que o cidadão comum interfira na realidade política, então nós definitivamente não estamos vivendo em uma democracia. Pesquisem sobre a Grécia e o surgimento da democracia, e logo entenderam que as eleições não passam de uma maneira de restringir e direcionar o poder das massas nas mãos de poucos.
   Não preciso falar muito mais a respeito de como os nossos políticos ajudam a sustentar o mesmo inimigo que tanto dizem combater. Para isso já está nos cinemas a continuação do filme que tratou tão bem a imagem do famoso BOPE. “Osso duro de roer”, tão duro, que só banhando em vinagre mesmo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Para não dizer que não falei de fezes

  Existe um evento da cultura brasileira que se repete a cada dois anos. A poluição aumenta consideravelmente na forma residual, auditiva, visual e intelectual. Debates políticos se tornam corriqueiros entre cidadãos comuns, ainda que os mesmos tenham ignorado as notícias sobre o assunto durante todo o período externo a este evento. Não os culpo, eles são forçados a isso.
   Processo Eleitoral. A festa da democracia, no sentido mais literal possível. Pois não apenas parece uma festa, mas a de fato é! Comícios, festas, brindes, presentes e convidados especiais. A impressão que tenho, é de que os candidatos gastam mais tempo e dinheiro se promovendo para os eleitores, do que trabalhando para atender aqueles que tanto se esforçou para entreter.
   Direito ou obrigação? Os dois. É um direito que lhe é forçado pela goela. Surge uma onda, uma febre, onde todos se tornam especialistas e exímios peritos no assunto. Mas a maioria o faz por obrigação, e não por direito. Elas se sentem forçadas a tomar partido e opinião sobre um assunto o qual são habilmente instruídas a não pensar sobre (pelo menos não diretamente.
   Poder de cidadania se resume em operar valores premeditados em uma urna? Valores não apenas em números, mas em valores sociais. A democracia se restringe à eleição? Não haveria forma de o cidadão tomar a voz, ainda que sem estar em posse de seu título de eleitor?
   A imprensa tem um papel muito especial nesse festival. Durante o período externo à eleição, ela bombardeia a população com notícias sobre a má qualidade do sistema de saúde, educação, transporte e a falta de segurança. Mas curiosamente, ela nem sempre faz questão de enfatizar a quem compete à responsabilidade de resolver problemas dessa natureza. Portanto os jornais nada mais incentivam se não a insatisfação e o medo por parte da população. Medo sem atitude, insatisfação cômoda. Mas durante o período das eleições, ela não simplesmente intensifica o seu papel de “denúncia”, mas faz questão de transformar em estatística e em gráficos todas as notícias dos períodos passados. Sendo, portanto, uma forma de incentivar o cidadão a procurar por um candidato que resolva tais problemas. Muito bonito, interessante. Mas será que o momento de reclamar é apenas na época de eleições? O poder de voto parece ser visto pela população como um balançar de uma varinha mágica, onde resolver os problemas ou não se resume a uma questão de boa escolha. Mas caso você girar a varinha errado, o feitiço pode falhar, ou mesmo se voltar contra você. Parece muito falho e impreciso, precisa haver outra meneira.
   Marxistas de carteirinha teimam em dizer:
“Já passou da hora das massas assumirem o poder!”
A massa cinzenta de quem clama tal alegação parece tender mais para massa de bolo à massa cerebral. Um boló de ideias obsoletas e experimentalmente (e na prática também) provadas como falhas. Muito se clama por uma revolução na sociedade. Particularmente, creio ser necessária uma revolução na mente dos homens, para depois mudar o sistema.
   Quando se precisa reivindicar por melhorias no seu bairro, que atitude o cidadão toma? Espera pela próxima eleição para procurar um candidato que atenda os seus pedidos (arriscando não encontrar nenhum)? Não há tempo para esperar, político bom não cai do céu. Devemos de organizar a nossa comunidade, debater os nossos problemas e exigir não apenas nossos direitos, mas atitude por parte dos governantes!
   As massas não precisam tomar o poder, mas exercer o poder que já lhe compete. Precisamos abrir as nossas mentes, e atentar para as oportunidades que vão além das eleições. Meu voto, eu já decidi. Nulo para todos os cargos. Prefiro exercer minha cidadania de outra forma, muito obrigado.