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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Macacos Dançarinos



Há bilhões de galáxias no universo observável. E cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas. Em uma dessas galáxias, orbitando uma dessas estrelas, há um pequeno planeta azul. E este planeta é governado por um bando de macacos. 
Mas esse macacos não pensam em si mesmos como macacos. Eles nem se quer pensam em si mesmos como animais. De fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais: Polegares opositores, autoconsciência, eles usam palavras como Homo Erectus e Australopithecus. Você diz to-ma-te eu digo to-ma-ti. Eles são animais, certo?
Eles são macacos. Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade, mas ainda assim macacos. Quero dizer, eles são espertos, você tem que conceder isso. As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China, isso tudo é muito impressionante, para um bando de macacos.
Macacos cujos cérebros evoluíram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo. Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes, todos os outros animais podem simplesmente ser.
Mas não é tão simples para os macacos, pois os macacos são amaldiçoados com a consciência. E assim os macacos têm medo, os macacos se preocupam, os macacos se preocupam com tudo, mas acima de tudo, com o que todos os outros macacos pensam. Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar com os outros macacos. O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia.
Isto é o que realmente os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam. Eles odeiam macacos que são diferentes, macacos de lugares diferentes, macacos de cores diferentes. Sabe, os macacos se sentem sozinhos, todos os 6 bilhões deles.
Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas. Os macacos querem respostas, os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses e os adoram. Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor, e os macacos ficam irritados e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar uns aos outros.
Então os macacos fazem guerra. Os macacos fazem bombas de hidrogênio. Os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir. Os macacos não sabem o que fazer.
Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos. Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos como se isto significasse algo.
Alguns dos macacos acham que sabem de tudo. Alguns dos macacos lêem Nietzsche. Os macacos discutem Nietzsche sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche era só outro macaco.
Os macacos fazem planos. Os macacos se apaixonam. Os macacos fazem sexo e então fazem mais macacos. Os macacos fazem música, e então os macacos dançam. Dancem macacos, dancem! 
Os macacos fazem muito barulho, os macacos têm tanto potencial. Se eles pelo menos se dedicassem. Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ostensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco.
Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades". Os macacos desenham um monte de linhas imaginárias na terra. Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização. Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã. Os macacos gostam de fingir que está tudo bem.
Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício, como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados.
Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta, e os macacos não querem ser macacos, eles querem ser outra coisa mas não são.

Eu sei, seu sei, esse vídeo é dos antigos. Mas como esse blog também me serve para poupar digitais, eu coloco aqui, o que não desejo precisar repetir e repetir dezenas de vezes em fóruns por ai a fora.

Esse vídeo nós trás uma reflexão deveras muito boa sobre a nossa realidade como humanos, vivendo nessa nave redonda, sem compreender de onde viemos, sem tanta certeza sobre para onde vamos nos dirigir.
Muito se questiona e debate sobre a origem de tudo, bem como se discuti o fim do mundo. Mas o princípio e o fim existem muitas questões mal resolvidas, e que merecem muito mais nossa atenção.
       Se existe sentido em observar o passado, que seja para aprender com as lições que este nos provém, e aplicar-las no cotidiano. Caso seja para ponderar sobre como será o futuro, que passemos a trabalhar hoje, para uma melhor construção sobre o que herdarão nossos descendentes.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Apenas um Passeio


Eu vi a neblina, vi pela primeira vez. Creio que deva ser uma sensação como essa a impressão de ver o mar pela primeira vez. Eu cutuquei meu amigo e fiz questão de explicitar a todos minha enorme felicidade de ver a neblina pela primeira vez. Sobre os morros, cobrindo a copa das árvores. O carro passou por debaixo dela, e eu pude ver tudo ao redor tomado por uma nuvem cinzenta.
A paisagem de montanhas me atrai muito mais do que as praias de meu estado. Talvez por que eu moro a poucos quarteirões da praia mais poluída de minha cidade, na qual tanto fui carregado em minha infância. Talvez as melhores e mais belas paisagens sejam justamente as que de nós se encontram distantes. Talvez tenhamos como belo, justamente as coisas das quais não podemos encontrar tão facilmente. Por vezes colocamos dificuldades à nossa frente, de maneira a tornar mais gratificante e saboroso o momento em que alcançamos nossos objetos de desejo.
Foi o melhor final de semana em muitos meses – dentre os que não incluem a “companhia” de uma figura feminina. Joguei tennis, sinuca, e AOE2. Entrei na piscina, na banheira de hidromassagem e na sauna seca. Comi pizza caseira e uma lasanha que desafiou meu estômago – fiquei triste de ver a travessa pela metade, mas não ter lugar para esta comer. Escrevi, li e ainda meditei. Eu poderia passar uma semana inteira naquele lugar tão bucólico e pacífico. Mas infelizmente, este não tinha internet.
Geni e o Zepelin. Muitos interpretam essa belíssima música de Chico Buarque como uma sátira a respeito de um Salvador, seja qual for este. Tomam Geni como Jesus, mas eu prefiro ampliar a visão, e pensar como se fosse qualquer salvador em termos mais amplos.







Bill Hicks, um dos meus comediantes favoritos – fato que já mencionei aqui. Em seu apelo final, me encerramento de um de seus mais famosos shows, ele faz questão de trazer uma mensagem deveras muito significativa para a platéia. Ele tratou daqueles, que em minha opinião, são os verdadeiros salvadores. As pessoas que tentam nos mostrar como nossa vida é efêmera, e como não podemos nos iludir com sensações de status e felicidade material.
Eu poderia passar muito mais com que uma semana naquele sítio. Sou grato pelo convite feito amigo de longa data, a partilhar com ele aquele espaço de calmaria de restauração. Mas assim foi bem lá que decidi escrever essa postagem, pois foi quando percebi que não me lamentei na hora de retornar à cidade – mais por canta da internet. Pois só quando em minha casa cheguei, é que tive ganhei a consciência. Foi apenas um passeio, e assim ele deve permanecer. Por mais que aquele lugar possua quase tudo que eu gostaria de desfrutar pelo resto da eternidade – vocês bem sabem o que estava faltando – lá eu não poderia me esconder para sempre. Foi apenas um passeio, assim como a vida, na descrição de Bill Hicks. Mais vale pontuar nossa existência pela eternidade a nos prender nas alegrias efêmeras.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Super Homem?

            Quem já sonhou alguma vez andar pelas paredes, dar saltos magníficos, feito os super-heróis que acompanhávamos em nossa infância televisiva? A fantasia com a qual brincamos em nossas mentes. Sonhamos acordados. Sonhamos com super habilidades, sonhamos em levar uma vida dupla, uma no trabalho com a família, outra nas ruas combatendo o crime.


            Existem pessoas que decidiram seguir suas pretensões infantis, ainda que apenas no tempo livre que possuem do trabalho. Azo é um animador de jogos eletrônicos. Ele acaba trazendo as coisas que ele desenvolve na vida real para as suas animações dentro do novo projeto no qual trabalhou em 2010.


            Em tradução para os que não estão familiares com o inglês: Neste vídeo acima ele explica que muitos movimentos que ele reproduz no jogo, são baseados em movimentos que ele já faz na vida real. Enquanto que outros movimentos ele cria para utilizar no jogo. E por diversão, ele acaba por tentar imitar alguns movimentos que foram criados no jogo, na vida real.

            O interessante é perceber que ele não se dedica para esses truques em tempo integral, mas utiliza deles no próprio trabalho. É um excelente exemplo de uma pessoa que arrumou uma inteligente maneira de conciliar seu lazer com o seu trabalho.

            Não posso deixar de admitir um misto de admiração com inveja. As habilidades desenvolvidas por Azo são sem dúvidas magníficas e sem igual. Mas acho que podemos todos tirar uma lição com alguém que encontra tempo para desenvolver truques tão elaborados e extravagantes, sem necessariamente dedicar todo seu tempo a eles.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Fim de Ano

            Eram 13:32 e como de costume, o professor estava atrasado. Meu amigo/colega me chamou em sua carteira:
            _Ai cara, vem cá ver uma questão. Eu não estou entendendo como; estou fazendo as contas, mas não confere com a resposta.
            Prepotente, comecei a resolver a questão no próprio quadro, aproveitando os pincéis que ali estavam largados. Quando meu caro amigo Anderson interveio e mostrou que eu estava completamente errado em minha solução. Perplexo e contente por estar sendo corrigido, eu tentei armazenar o máximo possível sobre a “nova perspectiva” sobre o conteúdo da prova que eu estava a menos de 5 minutos de realizar.
            O professor chega à sala. Todos se dispõem em suas carteiras. De certo, eu nunca estivera tão ansioso. Nem mesmo o vestibular (os dois que realizei) me deixou tão ansioso quanto estive naquele momento. Eu abro a prova. Leio a primeira questão, pulo para a próxima. Segunda questão, eu passo de novo. Mas a terceira questão, essa sim me despertou lembranças. Justamente a mesma questão que me aventurei a resolver 5 minutos antes, no quadro.
            Foi a diferença entre aprovação e reprovação. Sim! Pela Glória da China, sim! Eu fui aprovado! Passei em Álgebra Linear! Passei em todas as matérias da minha faculdade. E a sensação, foi melhor do que passar no vestibular. Meu amigo que me corrigiu quanto à resolução do quadro, esse também passou, e passou com média até alta. Mas aquele que propôs a questão da minha salvação, não fora aprovado.
            Passei meu último mês em uma correria sem fim. Mil tarefas por fazer, e um blog para atualizar. Mas agora que estou de férias, vou estar mais atarefado do que nunca. Pois uma coisa é se dedicar para alcançar as expectativas impostas por terceiros. Outra coisa bem diferente é trabalhar para cumprir com suas expectativas e projetos pessoais. Com isso começam aquelas velhas promessas de fim de ano:
            _Prometo estudar mais.
            _Prometo lutar para emagrecer.
            _Prometo encontrar uma namorada.
            _Prometo arrumar um emprego.
            _Prometo escrever mais para o meu blog.
            Deveriam designar no universo fantástico, algum lugar mitológico para onde iriam as promessas mal cumpridas. Feito uma Terra do Nunca. Poderia ser a Terra do Prometeu (sem profundas intertextualidades). “Prometeu, mas não cumpriu” seria um bom slogan.
            Tínhamos fechado a conta no bar e estávamos atravessando uma ponte que liga dois bairros quando eu resolvi fazer uma confissão aos meus amigos:
            _Eu odeio o natal.
            _Sério? Por quê? – Indagou o mais sagaz dos outros dois presentes.
            _Eu odeio tudo em relação ao natal. Odeio a árvore de natal, ela é tão feia. Odeio todos os enfeites de natal. Odeio aquele boneco quebra nozes, ele é feio. Odeio aqueles enfeites de doces em forma de bengala. Odeio essas malditas luzes que ficam piscando noite e dia, é ridículo e feio também.
            _”Grinch”!
            _Eu to falando sério cara. E o pior de tudo é o papai Noel. Ele com aquela cara barbuda e aquelas bochechas rosadas. Ele é tosto. Não gosto dele. Essa história de velhinho bondoso nunca colou comigo.
            _Cara, você está ficando verde! – Meus amigos quase gargalhavam.
            Muitos viriam a me dizer que o verdadeiro espírito natalino diz respeito ao nascimento do filho de deus. Mas eu acho que está mais relacionado com a maneira com que Constantino desejava difundir o cristianismo e acabou por juntar datas de festividades pagãs, para ajudar a adaptação no processo de conversam. Mantiveram o clima de festividade, só trocaram o foco da atração.
            Desde criança, nunca senti muita atração ou conforto pela sensação de fim de ano. Natal, e seis dias em seguida, ano novo. Um clima de depressão sempre bateu em mim. Afastado de mais colegas de escola, não tanto por não ter amigos, mas por que todos estavam trancados juntos à “família”.
            É como se não tivesse onde me esconder, sem escapatória ou opção. Pois se desejasse estar longe de minha casa enquanto comem peru ou erguem taças de espumante, para qual outro lugar eu iria? Nem mesmo os mais profundos confins de minha mente seriam capazes de me proteger e obscurecer sobre essa tediosa experiência de fim de ano. Sorrisos desarranjados, abraços desconfortáveis. Oh, Clarice! Eu te entendo, eu finalmente te entendo!
            Então é isso pessoal. Essa foi a postagem mais ou menos descontraída do fim de ano. Desejo uma farta mesa de Natal e uma boa bebedeira de ano novo a todos!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Brasil-Português

           Nem sempre gostei escrever. Aos meus 14 anos fazer engenharia elétrica era uma idéia nítida e inviolável. Tendo meus hábitos mentais totalmente voltados para o campo das exatas, eu tentava esquematizar o meu estudo de maneira lógica e metódica nas outras matérias. Criava teoremas, padrões, regras, e modelos matemáticos para me facilitar o estudo das coisas que não pareciam tão claras e óbvias quanto “ax +b = y”.
            Ainda que depois de reencontrar-me com minha veia filosófica e metafórica, eu continuo por utilizar de equacionamentos dentro das ciências mais subjetivas, como a história e a sociologia. Fiz dessa característica o meu diferencial. Permitindo-me enxergar eventos e acontecimentos de maneira por muitos tida como inusitada. O que para outros possa ser visto como palavras desconexas e abomináveis, para mim é racionalização e lógica. Fato é que no campo das humanas, não existe resposta errada, apenas uma forma diferente de enxergar as coisas.
            Um dos diversos modelos que criei na minha época de colegiado foi sobre o processo de colonização ocupacional. Imaginemos uma civilização X que deseja dominar e colonizar uma civilização Y. Existe uma série de processos e recursos que a civilização X terá de lançar uso durante o processo de domínio. Primeiro, ela terá de impor sua ocupação através da superioridade bélica. Caso queria evitar um massacre, ela terá de exibir as suas armas mais poderosas, a fim de intimidar a civilização Y, e dominar-la então pelo medo.
Uma vez dominando o território pela força bélica, é preciso conquistar o seu espaço no meio cultural da civilização Y, substituindo a cultura de Y pela cultura de X. Devem ser abertas escolas para ensinar aos cidadãos de Y, a língua, a história e toda a doutrina da sociedade natal de X. Passar ensinamentos religiosos, de maneira a derrubar a religião de Y, e por fim impor todo o regimento de normas e comportamentos de X em Y.
Como se não bastasse, X deverá por os recém convertidos cidadãos de Y para trabalhar nos ofícios por eles designados. Parênteses: Eles devem trabalhar em ofícios de baixa e média remuneração, e cujo lucro do trabalho fique concentrado nas mãos de X, deixando para os trabalhadores de Y apenas o salário obtido pelo mais valia.
Uma vez definido o modelo acima, dele pode-se referir diversos exemplos, e acrescentar também diversas variações. Lembrando que o processo descrito acima não trata da colonização mercantilista. Dado tal idéia, quais exemplos você, leitor, procuraria referir sobre esse modelo descrito? Em uma representação de (X,Y), citaríamos (Inglaterra,Índia); (EUA,Japão); (Inglaterra,Treze Colônias); (Inglaterra,África do Sul). Mas como o título dessa prosa bem sugere, deve imaginar que eu estou aqui para falar sobre a colonização brasileira. Pois para ser sincero, foi exatamente o exemplo no qual me baseei para montar esse modelo. Mas não estou aqui para falar do nosso ouro nas igrejas de Portugal. Nem mesmo sobre o nosso ouro que foi usado para propulsionar a industrialização da Inglaterra (Não consegue ver a ligação? Desculpe, não quero fugir do foco).
De toda a minha analise, o elemento inusitado eu sempre guardo para o final. Pois após ser bombardeado noite e dia com notícias e comentários sobre a ocupação das favelas no Rio de Janeiro, não posso evitar falar sobre o assunto que não gostaria redundar em meu blog. Mas quando a realidade reflete nas minhas obras anteriores aos acontecimentos, por mais que me custe, sou obrigado a trazer um feedback.
Já estabeleci aqui antes, na minha postagem sobre o “Tropa de Elite 2” (Vinagre), mas volto a pontuar. As favelas do Rio de Janeiro já estão em um perfeito estágio de paralelismo de poder com o nosso estado. Funcionam exatamente como um núcleo independente, utilizam de táticas de guerrilha e comportam-se como uma. Em muito a ocupação das favelas do Rio, coordenado com a autorização do Governo do Estado do Rio de Janeiro, se assemelha para mim com uma operação de reconquista. Um processo colonial, onde o nosso estado (brasileiro?) pretende dominar e conquistar o território que foi perdido para o estado paralelo.
As FARQ’s, o IRA, o ETA, e diversas outras regiões que desejam ou já desejaram emancipação territorial do estado vigente no país em que vivem, fizeram uso do terrorismo para tentar impor suas independências como nações. Suas lutas, ainda não alcançaram a vitória em nenhum exemplo que possa ser citado. Não seria diferente com os traficantes das favelas. Mas caso me pergunte, em que ponto eles praticaram terrorismo, peço que junto com uma revisão das últimas notícias sobre o Rio de Janeiro antes da operação das forças armadas, leia o texto que virei a expor abaixo. É a declaração que foi distribuída em forma de carta aberta para os moradores das favelas e das regiões periféricas à mesma:

           “Atenção

            Foi decretada pela união dos partidos dos partidos CV, ADA e CTP todos outros partidos que tenha respeito e lealdade, força, humildade e amor no coração e muita dignidade a favor de toda comunidade, por favor se unam a nós.
            Foi decretado pela união dos partidos, que quando tiver repressão da polícia em qualquer favela fazendo covardia, derramando sangue, todas as comunidades pegaram seus fuzis e atiraram em prédios, em carros importados e no que tiver de mais rico próximo a sua favela, saqueando empresas, lojas e mercados!
            Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.
            Foi decretado pela união dos partidos, que cada integrante de partido que a polícia matar morrerá dois policiais e seus familiares, pela união das comunidades que cansou de covardia dos policiais e do sistema, porque são eles que trazer as drogas e as armas, o empresário financia e a policia facilita ficam os políticos roubando bilhões, matando muita gente só com uma caneta, depois quer mandar quem trás as drogas e as armas para o partido vir aqui na comunidade e matar inocente pobre não dá lucro para boca de fumo, quem compra todas drogas são as classes médias e os ricos.
            ‘Irmão, pode pisar em qualquer favela olhando na bola dos olhos, mostrar que esse modo de agir é retrólogo, a revolução verbal é aterrorizadora, junta seus pedaços e vem para a arena nosso irmão do PCC  falou que o inimigo está de terno e gravata e em nome da paz e a favor de todas as favelas, que é a hora de união, de revolução. Definitivamente, sem união não dá, então vamos todos juntos.’ “

            Esclareço aqui, que apenas transcrevi a carta exatamente como esta foi enviada. Sem o menor rigor de regência temporal ou nominal, sem coesão textual e nem mesmo uma pontuação digna de legível. Acho que fica bem claro que não inventei tal carta, apesar de não ter tido contato direto com ela. Mas dela, eu gostaria de destacar apenas um parágrafo:

“Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a policia matar, morrerá duas pessoas ricas.”

            Essa, para quem não percebe, é uma declaração de guerra, uma promessa terrorista. Pois então, dito e feito. Os atentados do dia 23 de novembro se aconteceram devido à promessa de guerra feita pela “união dos partidos” dos guerrilheiros das favelas do Rio.
“Favelas do Rio”, “Traficantes”, tento dar um nome para esse estado paralelo, mas me esqueço que ele tem nome. O PCC (Primeiro Comando Capital) já tentou assumir e coordenar revoluções no passado. Todos lembramos bem das centenas de ônibus queimados todos os dias nas grandes capitais do Sudeste. Na época, o fogo parecia ter sido contido, mas pelo que se percebe, ele apenas correu para o subsolo, e lá, cresce até que pensou estar forte o bastante para emergir e mostrar a sua fúria.
Primeiro o estado republicano (não posso apontar para um e chamar de Brasil) ocupou o território utilizando de toda a sua força bélica. Tudo com o intuito de combater velozmente os guerreiros da região, deixando o mínimo de vítimas civis no território (durante a operação, é claro). Estamos agora no período de pacificação, onde a população local começa a ganhar certo afeto pelos dominadores. Em seguida já se pretende colocar em prática o programa de redirecionamento cultural. Centros de recreação, centros de referência cultural para o jovem (como o que eu frequento na minha cidade) e escolas por toda a região.
Avançando mais no processo, pode-se ainda condicionar essa população para trabalhar em empregos de baixa remuneração. Explorando a mão de obra deles e aproveitando para ampliar o mercado consumidor. Analogamente aos operários de máquinas de tecelagem durante a revolução industrial da Inglaterra. Onde o operário gerava um lucro dobrado para os grandes empresários, pois além de trabalharem ganhando muito, o escasso salário servia para alimentar novamente os empresários, pois dependiam dos produtos industrializados para sobreviverem.
Ampliando a idéia da etapa citada acima, é a maneira mais comum de concentrar as riquezas nas mãos de poucos. Mantendo uma classe operária como rebanho extensivo, salários baixos, mas que dão condição a eles comprarem os produtos produzidos pelos próprios patrões. Conclusão, o dinheiro sai das mãos dos grandes empresários através dos salários, mas retorna com a venda dos produtos aos próprios operários.
Segundo parênteses: Como você imagina que a economia brasileira tem crescido nos últimos 4 anos? A mesada, chamada salário mínimo mais bolsa família estendida pelo governo lula, engrossou a classe econômica C que passou a ter mais poder de consumo, movimentando mais o mercado das indústrias e empresas brasileiras. Resultado? Mais dinheiro nas mãos de quem já tinha muito dinheiro, e salário mixuruca para os trabalhadores.
Eu citei o exemplo da chacina dos traficantes do Rio, como a pior solução possível na minha postagem sobre o TE2, pois já que fiz uma previsão certeira, eu deixo aqui o meu segundo aviso. Por mais que pense como certo ocupar as favelas, matar os traficantes e doutrinar essa população a tanto tempo oprimida, não se esqueça dos nativos que aqui viviam antes dos portugueses chegarem. Sim, justamente o primeiro exemplo que você pensou quando falei em colonização. Agora pense em todas as emoções que se expressaram na sua juventude rebelde, quando estudou sobre a exploração portuguesa em nossa terra. Pois o nosso estado está cometendo a mesma abominação. Concorde comigo ou não, a minha previsão é essa. De Brasil em Brasil, nós nos perdemos na nossa imensidão, pois te peço agora: “Brasil, me mostre a tua cara!”, pois não te reconheço mais.