Páginas

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Cada um vê o que quer

   Eu sinto. Eu sinto tudo a minha volta. Tudo vibra. Não é uma simples questão de enxergar os objetos que me cercam, mas sim perceber-los. Eu consigo distinguir e diferenciar cada um deles individualmente.
   Tudo me parece tão mais real, agora que eu pude finalmente aceitar o fato de que todo o universo é meramente virtual. O que é existência? Qual é a nossa existência? Até que ponto a virtualidade é abstração ou realidade?
   Dentro dos muitos níveis e sub-níveis e ordens e estruturas e formações que compõem o nosso universo, é fácil se perder e se confundir. Mas existe um dogma ainda não assumido, o dogma da nossa existência.
   Albert Einstein nos no provou que toda matéria é energia. Mas se na física clássica, a energia se manifesta através da matéria realizando trabalho, então o que há de fato é energia se manifestando por meio de outra forma de manifestação de energia? Isso tudo pode parecer sem sentido ou ainda pleonástico, mas é justamente o que acontece. Somos energia pura, energia em cima de energia. Mas de onde veio toda essa energia? Bem, quem disse que ela precisa ter vindo de algum lugar? Existem provas de que houve algum momento onde não havia energia no universo, para se pensar que em algum momento ela foi criada?
   A teoria das supercordas nos abre fronteiras para perceber como o universo é integralmente composto por partículas-onda. Juntando com a tese de Einstein, concluímos que a existência é fundamentada pela manifestação de energia em forma de ondas.
   Juntando a teoria das supercordas, com a de Einstein e mais a teoria das dez dimensões físicas, podemos chegar a incríveis conclusões a respeito do espaço-tempo. Viagens temporais podem ser tão simples como proferir um pensamento. Eu diria que a própria lembrança de memórias antigas já lhe permite encontrar o passado. E imaginar o futuro já o coloca mais próximo do mesmo, ainda que esse futuro nunca venha a se realizar.
   Pode parecer confuso (perdi a conta de quantas vezes já disse isso) imaginar que as ditas leis que supostamente regem o nosso universo não são tão rígidas quanto parece. É possível torcer-las, ou ainda ignorar-las. Na física quântica, o observador tem influência sobre o resultado do evento que observa, assim como a nossa impressão sobre a realidade é capaz de alterar a mesma.
   A nossa realidade sofre influência da psique humana, isso já foi verificado e atestado diversas vezes por centros de pesquisas do campo da ciência noética. Exatamente pelo fato de tudo o que nos cerca não ser de fato tão sólido quanto imaginamos, é que nós podemos influenciar na maneira com que a matéria interage com ela mesma.
   Somos integralmente compostos por átomos. O átomo, por sua vez, é composto por elétrons que estão sujeitos à condição de se portarem hora como onda, hora como partícula. O núcleo atômico é formado por prótons e nêutrons (em uma versão mais simplificada da estruturação do átomo) que por suas vezes são constituídos de quarks, no caso do nêutron por um elétron também. Os quarks giram um com os outros em uma velocidade inestimável, e é justamente essa velocidade que proporciona propriedade de massa a esses quarks. Caso fosse possível retirar toda a energia cinética de giro dos quarks de um próton (por exemplo) o que seria possível observar é o total desaparecimento desses quarks, e do próton como um todo (princípio básico da fissão nuclear). Sendo então, novamente enfatizando, somos nada além de energia em manifestação, somos uma infinidade de ondas vibrando na décima dimensão. Para se encaixar com alguma comparação ainda dentro da nossa ilusão de consistência e solidez, somos tudo e todos mais leves do que o ar, e mais penetráveis que o mesmo.
   Por mais duro que seja tentar imaginar tudo isso, (nem me arrisco mais dizer que é confuso) considere que toda a existência está fundamentada em uma base extremamente volátil e instável, suscetível às perturbações que vierem de qualquer extremidade de sua estruturação. Só assim se poderá compreender, o quão suscetível a nossa realidade está para com a nossa percepção da mesma.
   Os seus pensamentos são capazes de mudar o mundo, ainda que não e um passe de mágica. Não deixe de pensar sobre isso quando tudo parecer tão duro e imutavelmente negativo à sua volta, pensar positivo pode fazer toda a diferença. 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ria, pois é a verdade.

   É chato parecer redundante, mas tem um assunto que eu gostaria de revisar antes de comentar sobre a lei que proíbe o humor político. (Sim! Não vou nem mesmo me dar o esforço de fazer uma introdução para o assunto):
Argumentum ad Hominem
1 - A pessoa X possui um argumento Y.
2 - A pessoa X possui algo ou é algo criticável.
3 - Portanto Y é falso.
   É uma das formas mais básicas de uma falácia, invalidar o que uma pessoa diz, invalidando a própria pessoa. O que é o humor, se não uma falácia? Expor uma pessoa, ou uma idéia ao ridículo, para nada mais serve senão para o empobrecimento intelectual e cultural de um debate. Experimente entrar em uma escola do nível fundamental e perguntar para um guri da quinta série:
   _O que você pensa do presidente Lula Pedrinho?
   _O Lula é um idiota!
   _Ora, mas por que você pensa assim? O que ele fez de errado no governo dele?
   _Eu não sei! Só sei que ele só faz besteira, e que todo mundo fala mal dele.
   Bem observado Pedrinho. Tanto se ocupa em ridicularizar a imagem de pessoas públicas com piadas e trocadilhos de todos os tipos, que acabamos por perder o foco das coisas que realmente deve ser levadas em consideração. Qual é o cenário político que encontramos hoje? Quais são as propostas dos candidatos? Por que tanta necessidade de se fazer humor com coisas tão sérias?
   Lutar pela liberdade de expressão? Tudo bem, por que não lutamos também pelo direito de fazer apologia às drogas, ao crime; o direito de chamar os negros de pretos macacos; o direito de dizer que o homossexual é um doente e que deve de ir para a cadeia; ou ainda o direito de reproduzir qualquer idéia falaciosa e agressiva? Direito de expressão, dá direito a muitas pessoas falarem muito sobre o que não devem. O direito de expressão acaba permitindo a imprensa de invadir a privacidade alheia, e expor idéias totalmente equívocas sobre coisas que não cabe a ela tratar sobre. Quantas vidas nós teremos de esperar ser destruídas por uma mídia tendenciosa, que tem o poder de condenar um inocente pela opinião popular? Você quer o direito de expressão? Então comece a medir melhor suas palavras, pois ela tem um forte poder de influência sobre qualquer pessoa. E é justamente essa influência que torna cabível a proibição do humor político.
   Eu posso ter usado o exemplo de uma criança. Mas quantos adultos e eleitores não têm o mesmo raciocínio de Pedrinho? De tanto reproduzir uma idéia deturpada, as pessoas perdem de vista o fundamento. O prejuízo do humor é também o fato de ele provocar risos em seus leitores. Quantas verdades, por mais que cruéis, não se tornam mais aceitáveis a partir do momento em que nos permitimos rir delas. Conformismo não rima com atitude! Qual é o problema de expor a realidade de e a suas idéias sem utilizar a ferramenta do humor? Se pensa que alguém foi ridículo em alguma atitude, então assim o diga:
   _A atitude do candidato foi ridícula!
   As consequências são para você enfrentar ou não. Não se esconda por trás da cortina de ferro da licença humorística. Quer expor idéias? Faça como eu, seja explícito, como eu bem farei agora!
   A verdade, é que eu não me importo. Votarei nulo. Não por que eu não conheça a proposta de nenhum candidato, pois eu conheço e reconheço até alguma que talvez me agrade. Mas é por que não faz sentido eu tomar partido em uma disputa que eu reprove por completo. Eu desaprovo o nosso regime político, e por isso não faz sentido eu me importar com as eleições.
   Maldito o dia em que derrubaram a Bastilha. Não que isso fosse algo ruim, ou ainda que o povo francês não tivesse motivo para se revoltar com o Rei Luís Dezesseis. Mas é sobre as consequências que eu me lamento. A revolução francesa acarretou no maior engano da história da humanidade: A “democracia social”. De democracia, o nosso regime não tem absolutamente nada!  Quantos dos eleitores tiveram a oportunidade de participar da votação da eleição dos candidatos apontados por cada partido? Repito aqui, a célebre frase:
“O poder de voto nada mais é do que o poder de escolher com qual tempero você será devorado.”
   De fato, que diferença faz? Estamos falando de um governo que não exerce nem mesmo 1% da sua capacidade administrativa. Você sabe o que foi o escândalo do mensalão?
   Tomamos um partido genérico A e um partido genérico B rivais entre si. Um dado dia, o partido A apresenta no plenário a proposta X. Como o partido B desgosta do partido A, apesar de considerar a proposta X muito boa, vota contra a proposta. Pela diferença de voto conseguida por influências nas coligações, a proposta X, ainda que muita boa, não consegue aprovação. Não passado uma semana, o partido B apresenta a proposta (X+0,75) – que nada mais é do que a proposta X com poucas coisas a mais. Indignados com o plágio feito pelo partido B, o partido A vota contra a proposta (X+0,75), pois não querem dar os créditos para o partido B. Sendo então, a proposta passa de mão em mão, e nunca é aprovada. Como solucionar esse problema? Simples, molhe a mão de todos os integrantes de todos os partidos com dinheiro público, sendo assim, todo mundo aprova qualquer coisa e todos vão dormir felizes. Todos vão dormir felizes? Pode ser meio difícil dormir com quinze pedaços de pizza pesando no estômago, você teria pesadelos tenebrosos. É chato, é incômodo pensar dessa maneira, mas o mensalão era uma mão na roda para tentar fazer a máquina administrativa funcionar. Essa máquina se tornou muito pesada, e ela pesa no ombro de todos nós, e mesmo nos ombros dos políticos.
   Eu poderia aqui continuar citando, diversos e diversos defeitos dessa grande ilusão chamada democracia e liberdade de expressão que muitas pessoas acreditam estar vivendo, mas eu prefiro concluir logo essa longa prosa voltando ao assunto principal. Por que se ocupar fazendo humor sobre coisa que deveríamos de encarar com uma seriedade maior? Quer provar o seu ponto? Quer ser ouvido e entendido? Mostre argumentos, levante a sua voz e fale, fale e fale!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Magia dos Balões

   É a clássica cena hollywoodiana a respeito dos parques de diversões. A criança chora, esperneia, grita e não para até que o papai compre outro balão. O responsável pela criatura o faz com relutância. Pois sabe que é apenas questão de tempo, para que o balão escape das mãos do guri novamente.
   É a fantástica parábola da vida. A terra do estase e da adrenalina. Onde a sua alegria só dura o tanto quanto o seu dinheiro é capaz de rendar, ou seja, até a hora do parque fechar.
   É a fabulosa doutrina capital. Onde a sua felicidade é medida pela quantidade, e não pela qualidade. Carro, bicicleta, videogame, MP10, DVD, televisão, e três ingressos para o show de sua banda de axé favorita. Quanto do mais é melhor, não importa o que seja. Até livros podem entrar para a contabilidade. Ainda que você não os leia, eles fazem volume na prateleira.
   Mas eu não estou aqui para falar sobre livros, ou sobre carros ou sobre bandas de axé. Eu estou aqui para falar sobre balões! Não te aflijas menino! Não é mágica nem feitiçaria, mas pura aplicação das leis da física!
   O hélio dentro do balão é um gás mais leve do que o ar. Os gases mais pesados são constantemente puxados para baixo, permitindo destacar para o alto, as substâncias mais leves, como a que se encontra dentro do balão. É a maravilhosa lei da gravidade que condena muitos a cair, enquanto reserva a poucos o privilégio de ascender aos céus.
   Futebol, xadrez, pintura, aquelas aulas de ortografia japonesa ou mesmo um simples manual de origami. As crianças são incentivadas a desenvolverem seus lazeres, mas não são permitidas a tomarem tais como compromisso.
   Segurando-o por uma fita colorida, a criança observa o balão cintilar ao bel-prazer do vento. Mas chega o momento em que seus pais o pedem para soltar o balão. Pois chegou a sua hora de entrar na montanha russa. Montanha russa que geralmente recebe o nome de “vida adulta”.
   E então, abandonando seus sonhos e ambições infantis, a criança solta o balão. Embora ela saiba que nada a espera no brinquedo senão adrenalina, angústia e a incontrolável vontade de gritar, ela solta o balão. A verdade é que a criança gostaria de ser como o balão, livre para subir até os limites do céu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Perfeita Inexistência

O mundo é transparente
Transparente feito o ar
É tudo mera especulação
Tudo energia em transformação

Andamos em linha reta
Porém não percebemos
Que nosso caminho se contorce
Nas dimensões superiores

O mundo é transparente
Transparente feito o ar
Caso queria me encontrar
Você terá de entrar
Junto, na minha vibração

O mundo está todo amarrado
Não se pode ver, é difícil perceber
Mas existem infinitas cordas
Ligando todas as coisas entre si

Ponto, reta, outra reta
Uma dobra, ponto outra vez
De ponto a ponto, sobrepomos o mundo
Por cima dele mesmo

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Iniciativa e Atitude na Arte.


O Teatro Mágico - Pena


O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é cédula mãe solteira

O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Acordes em oferta
Cordel em promoção
A prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá se dorme um sol em mi menor

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
A porcentagem e o verso
Rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
Meu museu em obras
Obras em leilão
Atalhos retalhos e sobras
A matemática da arte em papel de pão

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Já se abre um sol em mi maior

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior


   Eu conheci a pouco tempo esse grupo musical através de uma amiga minha. Um verdadeiro clamor pela liberdade artística e uma forte crítica à arte comercializada. De fato, nos deparamos com um gravíssimo problema na produção musical, literária e for justiça (ou não) todas as vertentes de expressão artística! A arte está sendo comercializada, e fabricada apenas com o propósito de consumo em massa. É uma verdadeira crise de criatividade e ausência de inovação.
   Por hora, eu de fato tenho poucos leitores no meu blog. Mas não tenho fortes esperanças de que essa realidade mude muito no futuro, pois reconheço que a minha produção não é da mais fácil de se vender.  Mas mais importante do que ser famoso e ter mil fans aos meus pés, é a sinceridade que eu tenho para com a minha expressão artística e intelectual. 
   Não escrevo por que desejo ser famoso com isso. Não escrevo por que espero ser reconhecido. Reconhecimento e fama são meras consequências dos meus esforços. Se houverem pessoas que ainda sabem dar valor a trabalhos da natureza dos meus textos, então que acho que só terei motivos para gratidão e felicidades.